A “vitória” da direita em 2016 iniciou uma corrida à… esquerda?!

Nas eleições municipais de 2016, a direita teve o melhor resultado em décadas. E o PT, principal nome da esquerda, foi reduzido a décimo partido da República.

Iniciou-se ali uma fuga pela direita, certo?

Não. Iniciou-se ali uma briga pela nova liderança da esquerda.

Ciro Gomes quer que a nova esquerda seja o PDT.

Marcelo Freixo está certo de que a nova esquerda é o PSOL.

Geraldo Alckmin está pronto para mudar para o PSB caso o PSDB vire-lhe as costas.

FHC se engraçou defendendo Jean Wyllys e até foto ao lado de Duvivier fez, achando que o PSDB ocupará este posto.

Aécio Neves está lá concordando com a Folha de que isso de “fake news” é muito prejudicial.

Cristovam Buarque diz que será candidato a presidente de novo. Pela imprensa, o herdeiro do voto esquerdista seria Fernando Haddad.

Lula jura que está no páreo, apesar de todos sabermos que só busca um discurso para evitar a prisão. Até Dilma estaria sendo cogitado para o governo do RS.

Há ainda Eduardo Jorge no PV. E Marina Silva liderando qualquer segundo turno.

Só João Doria faz alguma graça com a direita, mas todos sabem que ele é Alckmin e rumaria junto para o PSB em dois tempos.

Sobrou o que na direita? Onyx Lorenzoni, que possivelmente você nem sabe quem é, Ronaldo Caiado, cada vez mais calado, e Jair Bolsonaro, que já começou a ser bombardeado e há muita munição contra ele.

Cabe lembrar também que Eduardo Cunha, em um ano, desceu de presidenciável a presidiário. E Feliciano, que tentou peitar a UNE, foi acusado de estupro e se escondeu dos holofotes.

A direita não é amadora. É assustadoramente amadora.

Castração química

Você escuta o termo, parece que o método consiste em derramar um balde de ácido nas partes de um indivíduo que grita loucamente amarrado a uma maca.

É um remédio. Na descrição, assemelha-se a um tratamento hormonal. Uma breve busca no Google mostra as ampolas. O condenado opta por tomá-lo como pena alternativa.

Se fosse uma pauta esquerdista, seria chamada de “planejamento sexual” ou “controle de paz carnal”, ou ainda “neutralizador de libido”.

Mas a direita opta por “castração química”. Porque é muito ruim de comunicação. Muito!

Alguém precisa avisar à esquerda que ela é a oposição

Era maio de 2015 quando Edson Fachin enfrentou a sabatina no Senado. Sairia de lá apenas 12 horas depois, após ir às lágrimas algumas vezes tamanha a pressão. O vídeo em que pedia votos a Dilma Rousseff causou bastante impacto junto à opinião pública. O senador que o defendeu no relatório foi massacrado nas redes sociais pelos próprios eleitores. No Twitter, não teve outro assunto. Seria referendado, mas quero crer que toda aquela provação serviu para que o ministro tivesse no STF uma das melhores atuações nesses quase dois anos.

Michel Temer indicou Alexandre de Moares para a vaga aberta com a morte de Teori Zavascki. Por ser um nome com um passado de serviços ao PSDB, imaginei que viveria canseira semelhante à de Fachin. Afinal, a esquerda na oposição sempre foi uma oposição de verdade. Nisso eu mesmo acreditava. Mas…

Mas são 18h e as redes sociais buscam algum assunto. Os esquerdistas que ainda sigo parecem desinteressados no tema. No início, alguns fizeram comentários, mas logo jogaram a toalha, foram cuidar da própria vida.

Do nosso lado, por mais que incomode uma nomeação tão desalinhada com o que se espera da Suprema Corte, ao menos há a sensação de que o plenário do STF ficará menos desequilibrado: sai um indicado do PT, entra um indicado do PSDB.

Sim, há alguma resistência em apoiar o governo Temer, mas a direita é a situação. Cabe à esquerda se tocar que, hoje, a oposição é ela. E se portar como tal.

Onda conservadora: tsunami ou marolinha?

A direita celebrou o resultado das eleições de 2016. De fato, foi muito melhor que o observado em pleitos anteriores. Mas, ao se jogar nas planilhas os números, partidos de esquerda receberam 50% dos votos, contra 25% dos de direita — o resto votou nas siglas de centro.

Sim, a tal onda conservadora é ainda uma marolinha, mas o discurso de alguns parece crer que um tsunami mudou o Brasil para sempre.

Eu sigo na dúvida se este é o início de um longo trabalho, ou o auge de um projeto que entrará já em queda. Mas fato é que 2017 começou com a esquerda abrindo o placar, e os conservadores dedicando-se à uma guerra civil, como se o adversário nem mais existisse.

Hoje, eu apostaria na segunda hipótese, a da queda. Soa-me menos arriscada. E mais óbvia.