The Affair, segunda temporada

A segunda temporada de The Affair consegue ser melhor que a primeira, ainda que a suspensão de descrença seja um pouco mais explorada. As coincidências convenientes tentam se justificar no minúsculo tamanho de Montauk, mas esquecem que vez em quando aqueles personagens estão em Nova Iorque. Quanto aos roteiristas, abusaram um pouco do recurso do celular que não atende, ou todo o drama seria resolvido numa simples ligação.

Mas, como ia dizendo, segue incrível. O enredo é simples, novelesco, de novela das seis. Contudo, o ritmo que a trama é tocada fisga, o flashback é muito bem explorado, os pontos chaves da história são entregues em migalhas, sempre no melhor momento. Sem falar que diálogos e atuações são ótimos.

No Brasil, pode ser vista na Netflix.

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Novelaço

Comentei que The Affair era novelão, mas alguém entendeu isso como uma crítica. Então ajustemos o termo: novelaço.

Estou na metade da segunda temporada me perguntando: por que as novelas brasileiras não mais são assim? Calcadas em dramas familiares com os quais podemos facilmente nos identificar?

Sim, há uma trama maior envolvendo um possível assassinato. Contudo, soando menor que as outras: a destruição de uma família pela traição; o renascimento do indivíduo por essa mesma traição.

O ouro, no entanto, está na própria narrativa, na forma como cada personagem se porta a depender da visão assumida no roteiro. Poucas coisas soam mais realistas do que essa variedade de versões. Ao mesmo tempo em que nos perguntamos: em algum momento estamos vendo a verdade em tela?

Eu aposto que não.

A série de Temer

Pelo piloto, é um House of Cards para o público de 24. Mas talvez eu esteja me deixando abalar pelo protagonismo de Kiefer Sutherland. A premissa de Designated Survivor é ótima e, segundo o noticiário nacional, foi o que instigou Marcela Temer a indicá-la ao marido. Eu, que sou viciado em dramaturgia política, corri para conferir na Netflix.

Volto quando concluir a primeira temporada.

FWBL

Não era coincidência: Friends With Better Lives pertencia a Dana Klein, produtora de uma das últimas temporadas de Friends. Foi lançada na noite de exibição do último episódio de How I Met Your Mother.

Algo me diz que a chuva de críticas ao season finale desta contribuiu para o cancelamento após o oitavo episódio daquela. Eu, que curto enlatados que me desliguem do estresse do cotidiano, lamento que só tenham gravado os 13 capítulos que hoje estão na Netflix.

Porque o humor era fácil e direto como costuma ser em trabalhos do tipo, mas vinham dando uma banana ao politicamente correto. Não tinha “diversity” (todos os personagens eram “white people”), zoavam naturebas, veganos e casais gays, e encaixaram boas piadas no uso de cocaína e na prática do sexo anal.

Não é melhor que Friends

Mas está longe de ser ruim ao ponto de merecer um cancelamento no 13º episódio. Estou acompanhando Friends with Better Lives na Netflix. E me divertindo.

Eles aparentemente tentaram adotar os órfãos de How I Met Your Mother, que já eram órfãos de Friends, mas, chuto, o formato “risadas na quarta parede” já não funciona tão bem.

Até segunda ordem, órfãos de HIMYM devem buscar consolo em New Girl – sem claque.