Temer com 78% de rejeição

Em qual instituto confiar? Eu tenho motivos em suficiência para desconfiar de Datafolha, Ibope e Paraná. Dos que restam, o Ipsos me soa dos mais sóbrios. E, pela pesquisa dele, Michel Temer está com 78% de rejeição.

O presidente só não supera Eduardo Cunha (89%) e Renan Calheiros (82%), mas já deixou Dilma Rousseff para trás, que bateu em 74% no seu pior momento.

O dado também entrega quão perdida está a esquerda. Deveriam todos estarem fazendo faixas com o número para pularem carnaval. Mas simplesmente passou batido.

O Brasil está sem oposição. De novo.

Só me ocorrem dois momentos em que isso aconteceu: ditadura militar, e quando o PT comandou o país por 13 anos.

Em ambos os casos, deu muito errado.

A série de Temer

Pelo piloto, é um House of Cards para o público de 24. Mas talvez eu esteja me deixando abalar pelo protagonismo de Kiefer Sutherland. A premissa de Designated Survivor é ótima e, segundo o noticiário nacional, foi o que instigou Marcela Temer a indicá-la ao marido. Eu, que sou viciado em dramaturgia política, corri para conferir na Netflix.

Volto quando concluir a primeira temporada.

O inimigo é outro

Por quatro anos, Dilma mandou, o Congresso obedeceu. Se necessário fosse, Henrique Alves e Renan Calheiros levavam as votações até o nascer do sol para entregarem o que o Palácio do Planalto queria.

Mas tinha um Eduardo Cunha no meio do caminho. E Dilma foi por demais ingênua ao dar ouvidos a Mercadante entregando o presidente da Câmara (e do Senado) aos leões. Resultado: perdeu o Congresso, a governabilidade, e caiu.

Com Temer, contudo, há uma enorme diferença: o Congresso exige, Temer cumpre — ou tenta cumprir, mas vez em quando recua.

E o que o Congresso pede é tão ou mais feio do que o que Dilma exigia.

O inimigo agora é o parlamento. E derrubar o presidente servirá apenas para dar ainda mais poderes a esse adversário.

Eu cheguei a defender uma nova queda. Mas porque via, ali em novembro, uma janela para, em fevereiro, a opinião pública emplacar um presidente da Câmara e do Senado mais compromissado, bem… Com o bom senso.

Mas ninguém deu a mínima. Nem opinião pública, nem imprensa, nem oposição. Pareciam todos mais interessados no que estava acontecendo nos Estados Unidos.

Para o momento, não vejo outra alternativa: dois anos de severa vigilância e um trabalho sério de renovação em 2018.

Se parece impossível que consigamos construir algo positivo até lá, que ao menos evitemos que destruam o pouco que nos resta.