Herman Benjamin não perguntou?!

Eu lembro de ficar incomodado na campanha com a atuação de Herman Benjamin. O martelo dele até decidia contra a campanha de Dilma, mas parecia muito mais empenhado em podar as de Marina e Aécio — principalmente deste último.

Contudo, quando recentemente iniciou a apuração que pode render a cassação da chapa que reelegeu a petista, fiquei na dúvida: ele queria, por Dilma, vingar-se de Temer, ou apenas fazia o trabalho dele? E tendi à segunda opção, afinal, cassar a chapa era também cassar, desconfiava eu, a protegida do membro do TSE.

Agora, leio na Folha que Benjamin “dá sinais” de que concordará com a tese de que Dilma não merece ficar inelegível pois, apesar de todos os depoimentos dados, ela não teria ciência de nada.

Talvez tenha faltado a Benjamin fazer a Marcelo Odebrecht a pergunta curta e incômoda: ela sabia? Se tivesse feito, ouviria do empreiteiro o que já foi capa da IstoÉ: sim, não só sabia, como deu aval. Chegou a confirmar pessoalmente ao delator que uma nova carga de R$ 12 milhões precisaria irrigar o caixa dois. E que metade daquele volume iria para o PMDB. Tudo isso referendando o que já havia pedido o tesoureiro de campanha. Ou seja… Ela estava ciente dos movimentos deste.

Com isso, voltei a ter motivos para desconfiar da postura do ministro nomeado por Lula ao STJ em 2006, quando o ex-presidente, instruído por Marcio Thomaz Bastos, já escolhia para a Justiça currículos que pudessem ser úteis no julgamento do Mensalão.

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Era só ela

Nós não tínhamos o apoio da imprensa. Nem dos políticos. Nem de sindicatos, empresários, artistas, OAB, CNBB, movimento estudantil, academia, intelectuais, exército, empresas de tecnologia (redes sociais), nada.

Nós só tínhamos: uma mínima habilidade para criarmos blogs, colheres de pau,  panelas e uma camisa velha da seleção brasileira.

Tudo isso pode ser traduzido como “liberdade de expressão”.

Foi o suficiente para derrubarmos um governo corrupto que dominou o país por 13 anos.

Se não a tivéssemos, Dilma Rousseff dedicaria o ano de 2017 para lançar a candidatura de Aloizio Mercadante à Presidência do Brasil.

Por isso a liberdade de expressão é tão importante. E precisa ser defendida, venha a censura do Estado, de entes privados, ou mesmo da cegueira da militância.

O inimigo é outro

Por quatro anos, Dilma mandou, o Congresso obedeceu. Se necessário fosse, Henrique Alves e Renan Calheiros levavam as votações até o nascer do sol para entregarem o que o Palácio do Planalto queria.

Mas tinha um Eduardo Cunha no meio do caminho. E Dilma foi por demais ingênua ao dar ouvidos a Mercadante entregando o presidente da Câmara (e do Senado) aos leões. Resultado: perdeu o Congresso, a governabilidade, e caiu.

Com Temer, contudo, há uma enorme diferença: o Congresso exige, Temer cumpre — ou tenta cumprir, mas vez em quando recua.

E o que o Congresso pede é tão ou mais feio do que o que Dilma exigia.

O inimigo agora é o parlamento. E derrubar o presidente servirá apenas para dar ainda mais poderes a esse adversário.

Eu cheguei a defender uma nova queda. Mas porque via, ali em novembro, uma janela para, em fevereiro, a opinião pública emplacar um presidente da Câmara e do Senado mais compromissado, bem… Com o bom senso.

Mas ninguém deu a mínima. Nem opinião pública, nem imprensa, nem oposição. Pareciam todos mais interessados no que estava acontecendo nos Estados Unidos.

Para o momento, não vejo outra alternativa: dois anos de severa vigilância e um trabalho sério de renovação em 2018.

Se parece impossível que consigamos construir algo positivo até lá, que ao menos evitemos que destruam o pouco que nos resta.