Novelaço

Comentei que The Affair era novelão, mas alguém entendeu isso como uma crítica. Então ajustemos o termo: novelaço.

Estou na metade da segunda temporada me perguntando: por que as novelas brasileiras não mais são assim? Calcadas em dramas familiares com os quais podemos facilmente nos identificar?

Sim, há uma trama maior envolvendo um possível assassinato. Contudo, soando menor que as outras: a destruição de uma família pela traição; o renascimento do indivíduo por essa mesma traição.

O ouro, no entanto, está na própria narrativa, na forma como cada personagem se porta a depender da visão assumida no roteiro. Poucas coisas soam mais realistas do que essa variedade de versões. Ao mesmo tempo em que nos perguntamos: em algum momento estamos vendo a verdade em tela?

Eu aposto que não.

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Arte, pra que te quero?

É entretenimento puro. Mas, exigem os mais velhos, o lazer só vem após o dever. Ou seja… É algo que só deve acontecer quando tudo o que de fato importa já foi devidamente cumprido.

Esse dilema pesava em minha consciência quando eu ainda lutava para viver de arte, viver da organização de eventos, de festas. Incomodava-me o fato de aquilo que era tão importante para mim ser a segunda, terceira ou quarta prioridade na vida de tantos outros.

Como solucionava? Tentando politizar ao máximo o que criava, acrescentar uma luta social, uma ideologia, um desejo de mudar o mundo. Apenas para provar a mim mesmo que minha passagem pela vida tinha alguma relevância.

Hoje, entendo a politização da MPB, e as críticas desta à Bossa Nova e à Jovem Guarda, como uma vergonha semelhante à descrita mais acima.

É assim que também vejo esse desejo de Hollywood de ser tão ativa politicamente. Ela apenas sente vergonha de fazer fortuna com diversão.

E isso, claro, não deveria ser vergonha nenhuma.

Medo do 13

Curioso assistir a “Medo do 13” dias após concluir a primeira temporada de American Crime Story. Soma-se à dupla enredos semelhantes conferidos anos antes, como Making a Murderer, Em Nome do Pai e Hurricane, todos reais.

Pois, como um ótimo contador de histórias, Nick Yarris narra todo o sofrimento de ter passado décadas no corredor da morte. Situação semelhante à enfrentada pelos outros personagens centrais. Exceto OJ Simpson, que sacou a “race card” diante das câmeras e se safou para só ser preso anos depois por outros crimes.

Não dá, pelos cinco casos, para concluir que se trata de uma realidade enfrentada mais por brancos, ainda que apareçam em maioria nos exemplos. Mas é possível afirmar que tais equívocos não se importam com a etnia na hora de escolher a vítima.

Uma característica, contudo, parece determinante: só o milionário se safou, confirmando que a Justiça é de fato mais sensível ao saldo na conta do réu.

Racismo existe, claro. Mas o vejo muito mais como consequência de problemas sociais advindos de erros históricos, do que como causa de ambos. Em outras palavras, a estatística geraria o preconceito, e não o contrário. E creio que, enquanto não o combatermos sob este ponto de vista, ele continuará a ser explorado para fins políticos nada nobres.