Castração química

Você escuta o termo, parece que o método consiste em derramar um balde de ácido nas partes de um indivíduo que grita loucamente amarrado a uma maca.

É um remédio. Na descrição, assemelha-se a um tratamento hormonal. Uma breve busca no Google mostra as ampolas. O condenado opta por tomá-lo como pena alternativa.

Se fosse uma pauta esquerdista, seria chamada de “planejamento sexual” ou “controle de paz carnal”, ou ainda “neutralizador de libido”.

Mas a direita opta por “castração química”. Porque é muito ruim de comunicação. Muito!

Alguém precisa avisar à esquerda que ela é a oposição

Era maio de 2015 quando Edson Fachin enfrentou a sabatina no Senado. Sairia de lá apenas 12 horas depois, após ir às lágrimas algumas vezes tamanha a pressão. O vídeo em que pedia votos a Dilma Rousseff causou bastante impacto junto à opinião pública. O senador que o defendeu no relatório foi massacrado nas redes sociais pelos próprios eleitores. No Twitter, não teve outro assunto. Seria referendado, mas quero crer que toda aquela provação serviu para que o ministro tivesse no STF uma das melhores atuações nesses quase dois anos.

Michel Temer indicou Alexandre de Moares para a vaga aberta com a morte de Teori Zavascki. Por ser um nome com um passado de serviços ao PSDB, imaginei que viveria canseira semelhante à de Fachin. Afinal, a esquerda na oposição sempre foi uma oposição de verdade. Nisso eu mesmo acreditava. Mas…

Mas são 18h e as redes sociais buscam algum assunto. Os esquerdistas que ainda sigo parecem desinteressados no tema. No início, alguns fizeram comentários, mas logo jogaram a toalha, foram cuidar da própria vida.

Do nosso lado, por mais que incomode uma nomeação tão desalinhada com o que se espera da Suprema Corte, ao menos há a sensação de que o plenário do STF ficará menos desequilibrado: sai um indicado do PT, entra um indicado do PSDB.

Sim, há alguma resistência em apoiar o governo Temer, mas a direita é a situação. Cabe à esquerda se tocar que, hoje, a oposição é ela. E se portar como tal.

E quem surfou na onda das “fake news” da Folha? Aécio

Ainda na segunda pela manhã, rebati a gigantesca matéria da Folha sobre as supostas “fake news” que estariam mudando os rumos do mundo (não estão). Mas cheguei tarde demais. Às duas da madrugada, um texto assinado por Aécio Neves (duvido muito que ele mesmo tenha escrito aquilo, mas não há nada de ilegal nisso) já surfava na mesma onda.

É o PSDB no eterno papel de “mulher de malandro”.

Contabilidade criativa sueca

Esse imbróglio todo com a Suécia está com cheiro enorme de algo que o brasileiro conheceu bem com o PT: contabilidade criativa. Para evitar notícias negativas, o governo Dilma Rousseff manipulava todos os índices possíveis, ao ponto de adiantar em três anos a revisão do cálculo do PIB, ou o Brasil correria o risco de viver agora em 2017 o quarto ano seguido de recessão.

Barack Obama usou de expediente semelhante ao passar a contabilizar como deportados os imigrantes que nem chegavam a entrar nos Estados Unidos. Com isso, agradava o eleitor que exigia dele alguma atitude. Mas a mentira não colou muito.

Quanto à Suécia, bem… A enrolação da entrevista abaixo dá o tom (em inglês):

Oposicinha

Dei azar de, durante o almoço, acompanhar a réplica de Lindbergh Farias na sabatina de Alexandre de Moraes. Reclamou da PM, tentou descolar da esquerda a violência dos black blocs, chamou impeachment de golpe… Enfim. Aquele papo velho e cansativo.

Não falava para Moraes. Nem para os senadores que, juntamente com ele, poderiam de fato barrar a nomeação. Nem para mim, que estava ali almoçando de frente para a TV. Falava com o eleitor dele que, em 2018, poderá conferir a cena em algum programa eleitoral.

Com uma oposição assim, o governo Temer dará o nó que quiser na Justiça.

A bancada do PSOL

Na TL de notícias, surge aqui e ali imagens da bancada do PSOL protestando contra a indicação de Alexandre de Moares ao STF. O que é curioso, uma vez que o partido não possui senadores, e a sabatina se dê no Senado.

Contudo, não mostro isso como um demérito. Se critico o espaço que um partido tão nanico recebe da imprensa, preciso reconhecer o esforço deles em se venderem como relevantes.

Eu também sou contra essa indicação. Mas desconheço parlamentares que me representem e estejam dispostos a segurarem placa semelhante. Ainda mais na Câmara dos Deputados.

Só isso?

No momento da redação de texto, leio na coluna de notícias que está começando a sabatina de Alexandre de Moares, um personagem que, imaginei, seria um prato cheio para uma imprensa ávida por implodir o governo Temer. Mas, salvo alguma surpresa preparada pelos senadores, nada do que foi apresentado até o momento deve tornar difícil a missão de referendar a escolha do presidente.

O que, claro, é uma pena. Mudam as estações, o STF não muda.

Lei de Wesley

Ou seria Lei de Marcos & Belutti? Não é minha praia. Como conheço o refrão pela voz de Wesley Safadão, optei pelo quase conterrâneo.

Trata-se da lei que diz que aquele 1% vagabundo importa mais do que o 99% anjo perfeito. Costuma ser cumprida nas discussões políticas. De nada adianta concordar com 99% de tudo o que o colega defende, pois aquele 1% de discordância fala mais alto e qualquer nível de apoio deve ser encerrado de imediato.

No Brasil, é uma rara lei “que pegou”.

Debates, pra que te quero?

É como se indiretas fossem armas de destruição em massa. Você tem um alvo, mas atinge também todos os que se encontram no raio de ação. Eu evito ao máximo usá-las. Se me atingem, assumo que foram direcionadas a mim, e nem acho que estou errado ao agir assim. Ora… Se me encaixo na descrição, tenho direito a uma réplica.

Só nos últimos dias, fui indiretamente acusado de “passar pano” para Michel Temer, que teria censurado a Folha, Joice Hasselmann, que seria uma figura indefensável, Milo Yiannopoulos, que seria um pedófilo, e acho que sobrou até para um breve comentário que fiz sobre racismo ao analisar “Medo do 13”.

Se eu tivesse dito ontem que acho infantil o apoio cego a qualquer privatização sem a devida ciência do processo em questão, que as da era FHC têm, sim, graves problemas, que houve casos em que a coisa foi mal feita de tal forma que, anos depois, a empresa findou reestatizada sem ninguém sequer perceber, chegaria uma indireta dizendo que eu estava “passando pano” para Flavio Bolsonaro, uma figura para a qual eu estou descomendo.

É uma expressão que me irrita, mas vou novamente dedicar alguma seriedade a ela. Por extenso, “passar pano” seria algo como uma defesa acovardada de um protegido que errou. Essa defesa seria movida pela paixão para com o autor do erro. E o protesto nasce do lado que não só acha ter razão, mas que tal posicionamento seria inquestionável ao ponto de merecer uma unanimidade.

Eu, sinceramente, não passei anos criticando os debates esquerdistas, aqueles em que as cadeiras eram ocupadas apenas por iguais que concordavam entre si, para me sentir obrigado a aderir à maioria sempre que a discussão esquentasse acima da temperatura ambiente.

Os reaças – quando uso o termo, sempre refiro-me a liberais, conservadores e até mesmo esquerdistas que andaram discordando dos rumos da esquerda – precisam e podem ser bem melhores do que isso.

Sigo acreditando. Menos, mas acreditando.

Era só ela

Nós não tínhamos o apoio da imprensa. Nem dos políticos. Nem de sindicatos, empresários, artistas, OAB, CNBB, movimento estudantil, academia, intelectuais, exército, empresas de tecnologia (redes sociais), nada.

Nós só tínhamos: uma mínima habilidade para criarmos blogs, colheres de pau,  panelas e uma camisa velha da seleção brasileira.

Tudo isso pode ser traduzido como “liberdade de expressão”.

Foi o suficiente para derrubarmos um governo corrupto que dominou o país por 13 anos.

Se não a tivéssemos, Dilma Rousseff dedicaria o ano de 2017 para lançar a candidatura de Aloizio Mercadante à Presidência do Brasil.

Por isso a liberdade de expressão é tão importante. E precisa ser defendida, venha a censura do Estado, de entes privados, ou mesmo da cegueira da militância.

A série de Temer

Pelo piloto, é um House of Cards para o público de 24. Mas talvez eu esteja me deixando abalar pelo protagonismo de Kiefer Sutherland. A premissa de Designated Survivor é ótima e, segundo o noticiário nacional, foi o que instigou Marcela Temer a indicá-la ao marido. Eu, que sou viciado em dramaturgia política, corri para conferir na Netflix.

Volto quando concluir a primeira temporada.

Censura, censura e censura

O noticiário não consegue virar um turno sem um episódio grotesco de censura. Fui jantar, voltei, cancelaram o livro de Milo Yiannopoulos que vinha liderando a pré-venda. Até o Breitbart, que se porta como um dos últimos gladiadores da liberdade de expressão, está enfrentando um motim pela cabeça de seu editor mais famoso.

Crime cometido: ainda que sobre um tema delicadíssimo, emitir uma opinião, ou mesmo relatar uma situação, que desagradou.

Estão atirando no mensageiro. Nada do que ele falou deixará de existir ou acontecer por causa dessa revolta.

Marlos, o que você está fazendo?

Começou quando uma página de humor – que eu nem acompanhava – foi deletada do Facebook por ter feito uma piada com o 11 de Setembro. Eu não faço piada com o 11 de Setembro. Mas quero viver num mundo em que as pessoas tenham a liberdade de escolher o tema de suas piadas. Aparentemente Mark Zuckerberg decidiu que, na casa dele, quem manda é ele.

Ok. Desde então, decidi que os fatos mais importantes da minha vida seriam de fato registrados no Twitter. Que o Facebook seria apenas uma ferramenta extra para uso em ocasiões especiais. Algo que eu não choraria a perda caso viesse a ser vítima de autoritarismo semelhante.

Mas o Twitter nunca quis ser o Twitter. Queria ser o Facebook. Ter bilhões de usuários ativos. E lucrar os bilhões que Zuca lucra.

Para tanto, vem se dando a expediente semelhante. A gota d’água, para mim, foi a proibição de certos termos. Há palavras proibidas que, se você ousar escrever, será convidado a apagá-las, ou será boicotado pelo sistema, com risco de ser banido.

Enfim. Há nove anos da minha vida no Twitter. Mas eu não quero conivir* com isto. Fiz um breve teste no Gab, outro no Tumblr, mas resolvi voltar ao básico. Ao blog. Ao blog pessoal. Estilo 2005 mesmo.

Estou aqui. Falando de tudo em primeira pessoa. Conforme vai me dando na telha.

Hoje é o dia quatro desse experimento. E só me pergunto como eu não tomei essa decisão antes.

Quanto ao Twitter, seguirei lá acompanhando notícias, respondendo a alguns amigos ou falando um ou outra bobagem mais curta. Mas chega de tentar conquistar quem está louco para se livrar de caras como eu.

(*) Eu sei que o verbo “conivir” inexiste. Mas eu acho isso um absurdo.

Mais um engodo da Folha sobre “fake news”

Sob o título de “Como funciona a engrenagem das notícias falsas no Brasil“, a Folha publicou uma matéria quilométrica para convencer a opinião pública de que de fato as “fake news” estariam interferindo nos rumos políticos do mundo.

Já no início, há um resumo, que aqui divido em três partes para que fique mais claro.

  1. Reportagem mostra como funciona a fábrica de títulos sensacionalistas e inverdades que se disseminam nas redes sociais.
  2. Sites faturam de acordo com a audiência, que conteúdos apelativos impulsionam.
  3. Pesquisas mostram que a maioria dos leitores tem dificuldade em distinguir boatos de informações confiáveis.

Ainda que cite, e apenas cite, outros exemplos, a reportagem não mostra como funciona a tal fábrica, mas o Pensa Brasil, um site que, segundo a matéria, difunde notícias falsas, teria 701 mil visitantes únicos em dezembro, que leram 2,1 milhões de páginas, e estaria fazendo entre R$ 100 mil e R$ 150 mil com publicidade online.

Eu já trabalhei num projeto que fez R$ 200 mil em um único mês só publicando notícias verdadeiras. Mas, para isso, ele precisou de 4 milhões de leitores e 120 milhões de páginas.

Na condição de quem trabalha com isso há alguns anos, afirmo: os números da Folha não fazem sentido para o meio político brasileiro. Do contrário, a própria Folha estaria investindo no formato.

Pelos dados apresentados, cada mil páginas geradas no tal site estariam rendendo uma média de R$ 60,00 ao editor. Quando o mercado está muito bom, tais projetos chegam a R$ 6,00 em média. Mas, no geral, não passam dos R$ 2,00, isso quando superam o R$ 1,00.

Um dos projetos que monitoro teve um milhão de leitores em dezembro, que visualizaram 11 milhões de páginas. Ou seja, maior que o Pensa Brasil. Receita do mês: R$ 10 mil.

É possível chegar a um “ganho por mil” semelhante ao alegado no texto? Sim. Se você escreve em inglês e lida com público de mercados consolidados, como Estados Unidos e Europa. De preferência, em temas que vendem muito melhor do que política, como esportes e tecnologia. Aliás… Se a ideia é ganhar dinheiro como anúncios na web, o pior caminho a se seguir é o político, pois é o que paga pior.

Agora conheçamos o Pensa Brasil, esse gigante da comunicação que teria mudado os rumos do Brasil em 2016. Sabe quantos seguidores ele tem no Twitter? Menos de 3 mil. Meu perfil pessoal tem quase dez mil, mas não mudei os rumos do país – e eu tento todo dia.

Vejamos então no Facebook, dono de dois terços da visitação de basicamente qualquer site hoje em dia. São 28 mil seguidores. Para efeito de comparação, a Folha, autora da matéria, tem 5,8 milhões.

Usando ferramentas do próprio Facebook, eu vivo a comparar a audiência dos maiores veículos do Brasil. É assim que descubro que, hoje, a Folha está engajando 404 mil pessoas, menos do que a IstoÉ (514 mil) e a Exame (com 1,4 milhão), por exemplo:

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Ao acrescentar o Pensa Brasil na lista de sites monitorados, ela passou a ter 35 publicações. E onde o Pensa Brasil ficou? Em 34º lugar, à frente apenas do Aos Fatos. Note o seguinte: ele publicou mais de 250 posts (o limite contabilizado pelo Facebook), mas engajou apenas três mil e oitocentas pessoas. Frise-se: a Folha sozinha engaja 100 vezes mais do que isso. E olha que não estou olhando para a Exame ou Veja ou todos os outros grandes sites de “notícias verdadeiras”.

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Estão vendo a Agência Lupa ali no 31º lugar? Juntamente com o Aos Fatos e a Agência Pública, auxiliarão o Google a definir o que é ou não notícia falsa na internet brasileira, e isso foi noticiado pelo próprio Aos Fatos, essa página que engajou 841 pessoas na última semana (mas o trabalho deles é bacana, eu curto e compartilho vez em quando). Como você nota ao visitar o site da Lupa, ela é ligada ao grupo Folha. Mas incomoda-me ainda mais a Agência Pública. Porque não nega o viés ideológico (o que não é demérito, mas seria interessante esse tipo de coisa partir de alguém mais neutro). E porque tem no conselho “sumidades” como Eliane Brum e Leonardo Sakamoto.

Se você não conhece Sakamoto, conheceria ao ler a matéria sobre notícias falsas na própria Folha. Ele aparece lá nos últimos parágrafos. Segundo o texto, ele acredita que “é necessária uma convenção global para regular a circulação de notícias na internet e a eventual responsabilização por excessos“. Isso mesmo. Um controle Global do que é publicado na Internet. Defendido por Sakamoto.

Por fim: as fake news são um fenômeno com o qual você deva se preocupar?

Bom… Se lesse a matéria completa da Folha, iria dormir tranquilo. Porque só duas pesquisas da dezena apresentada se debruçam sobre a questão. A da USP diz que “os sites de notícias falsas são minoritários no ranking das com maior engajamento“. A outra, contudo, confirma o problema. Qual a fonte da pesquisa? O Buzzfeed. Sim, aquele que vive de fazer listas sem qualquer primor científico.

Em qual você confiaria? USP ou BuzzFeed?

Amigos acham que a Folha deu tanto destaque a essa pauta por motivos mercadológicos. Para mim, não faz sentido, pois trata-se de um gigante esmagando formiguinhas. Eu vou no motivo ideológico mesmo. Pois não fingirei que não notei que, no centro da matéria, há um site de ataques à esquerda brasileira.

Ainda Milo

Vencida a madrugada, ouvi com mais calma o que Milo falou. E acho que a reação está um tanto exagerada. Pois ele explicava o relacionamento que alguns adolescentes gays findam tendo com pessoas mais velhas. Pela relação conflituosa com a família, por vezes é a primeira vez que o garoto experimenta algum nível de compreensão, algo que não encontrava em amigos, ou mesmo nos pais.

O segundo ponto complexo diz respeito à definição da pedofilia em si. Para Milo, apenas crianças que ainda não atravessaram a puberdade seriam vítimas de pedófilos. A atração por adolescentes que já possuem um corpo, digamos, formado não deveria se enquadrar no termo. E isso é mais ou menos o que a lei brasileira entende, apesar de a opinião pública chamar de pedófilo qualquer adulto que se relacione com um menor.

Concordando com ele ou não, acho que são casos que cabem discussão. E, claro, ele tem direito à opinião dele.

Na defesa do mais fraco

A definição da maioridade sexual — chamarei assim — soa-me tão arbitrária quanto a da penal. Na dúvida, basta conferir as leis de cada país. Nos Estados Unidos, se você sai com uma pessoa de 20 anos de idade, você sai com um menor.

Do pouco que conheço, a depender da Constituição, estamos falando de um limite que varia dos 14 aos 21 anos. Mas é questionável a própria definição de um limite, pois é nítido que cada indivíduo matura ao seu próprio tempo. Eu mesmo já tive amigas que, aos 13 anos, não eram barradas em nenhuma portaria pois facilmente passavam por adulta; e outras que, mesmo aos 25, tinham que apresentar a identidade na entrada.

A natureza parece definir dois pontos específicos para o corte: nas mulheres, quando menstruam; nos homens, quando ejaculam a primeira vez. Mas mesmo aqui a situação é complexa. A filha de uma antiga vizinha menstruou aos 6 anos de idade. E, sim, ela era nitidamente uma criança.

É um tema de fato delicado. E Milo recebeu o primeiro fogo amigo ao tentar abordá-lo, ainda que o discutisse dentro do universo gay, onde questões ainda mais delicadas interferem no julgamento. O que não dá, contudo, é ficar nessa de criminalizar a mera discussão.

De minha parte, assumo a mesma postura que hoje mantenho sobre o aborto: na ausência de um limite que nasça de um consenso sobre a maioridade sexual, e pensando sempre na proteção da parte mais fraca envolvida, mantenho-me o mais conservador possível. E, por estar sob as leis brasileiras, olho para os 18 anos como o limite defensável.

Atributos físicos

Seis em cada dez CEOs das maiores empresas do planeta possuem ao menos 1,83m de altura. Que podem ter alguma relação com as próprias origens, mas eu prefiro apostar que, ainda em cargos tão técnicos, atributos físicos causam algum impacto nas relações de trabalho e ajudam, mesmo homens (que são maioria neste grupo), a partirem com alguma vantagem diante da concorrência mais baixa.

Enfim… Não só não acho errado aproveitar-se dos próprios atributos físicos em benefício da carreira, como acho que mulheres e homens que os têm devem mais é explorá-los, sim.

A natureza não nos fez devotos da beleza à toa.

Se a imprensa erra, tem que ser atacada

Porque qualquer erro precisa ser atacado. E a imprensa erra muito, ainda que se venda à opinião como infalível — não é, nunca foi, jamais será.

De fato, assusta as palavras de Trump. Mas o susto que vocês têm agora, eu já tinha – com o sinal invertido – há meses sempre que flagrava o jornalismo mentindo descaradamente em benefício de Hillary.

Aqui não são criticados profissionais altruístas de reputação ilibada. Mas um grupo que vem trabalhando uma narrativa baseada em falácias sobre notícias falsas com o claro objetivo de censurar discursos que ofereçam alguma divergência.

Isso é muito mais grave. Porque não há como exigir impeachment de jornal.

Onda conservadora: tsunami ou marolinha?

A direita celebrou o resultado das eleições de 2016. De fato, foi muito melhor que o observado em pleitos anteriores. Mas, ao se jogar nas planilhas os números, partidos de esquerda receberam 50% dos votos, contra 25% dos de direita — o resto votou nas siglas de centro.

Sim, a tal onda conservadora é ainda uma marolinha, mas o discurso de alguns parece crer que um tsunami mudou o Brasil para sempre.

Eu sigo na dúvida se este é o início de um longo trabalho, ou o auge de um projeto que entrará já em queda. Mas fato é que 2017 começou com a esquerda abrindo o placar, e os conservadores dedicando-se à uma guerra civil, como se o adversário nem mais existisse.

Hoje, eu apostaria na segunda hipótese, a da queda. Soa-me menos arriscada. E mais óbvia.

Passar pano é preciso

Eu nem sei se há como tecnicamente chamar de argumento a expressão “passar pano”. Sei apenas que a arma é sacada quando, naquele clima de linchamento virtual, alguém ousa abrir uma divergência. E eu, que tantas vezes já me coloquei na defesa de figuras polêmicas como Eduardo Cunha, Michel Temer e Donald Trump, tenho que aturar tais indiretas até de alguns grandes amigos.

Bom… Eu não vim até aqui para evitar dizer o que penso por receio de sacrificar um ou outra amizade. Aliás, isso basicamente tornou-se rotina nos últimos anos.

Espero que essa turma entenda que divergir é preciso.

 

FWBL

Não era coincidência: Friends With Better Lives pertencia a Dana Klein, produtora de uma das últimas temporadas de Friends. Foi lançada na noite de exibição do último episódio de How I Met Your Mother.

Algo me diz que a chuva de críticas ao season finale desta contribuiu para o cancelamento após o oitavo episódio daquela. Eu, que curto enlatados que me desliguem do estresse do cotidiano, lamento que só tenham gravado os 13 capítulos que hoje estão na Netflix.

Porque o humor era fácil e direto como costuma ser em trabalhos do tipo, mas vinham dando uma banana ao politicamente correto. Não tinha “diversity” (todos os personagens eram “white people”), zoavam naturebas, veganos e casais gays, e encaixaram boas piadas no uso de cocaína e na prática do sexo anal.

Medo do 13

Curioso assistir a “Medo do 13” dias após concluir a primeira temporada de American Crime Story. Soma-se à dupla enredos semelhantes conferidos anos antes, como Making a Murderer, Em Nome do Pai e Hurricane, todos reais.

Pois, como um ótimo contador de histórias, Nick Yarris narra todo o sofrimento de ter passado décadas no corredor da morte. Situação semelhante à enfrentada pelos outros personagens centrais. Exceto OJ Simpson, que sacou a “race card” diante das câmeras e se safou para só ser preso anos depois por outros crimes.

Não dá, pelos cinco casos, para concluir que se trata de uma realidade enfrentada mais por brancos, ainda que apareçam em maioria nos exemplos. Mas é possível afirmar que tais equívocos não se importam com a etnia na hora de escolher a vítima.

Uma característica, contudo, parece determinante: só o milionário se safou, confirmando que a Justiça é de fato mais sensível ao saldo na conta do réu.

Racismo existe, claro. Mas o vejo muito mais como consequência de problemas sociais advindos de erros históricos, do que como causa de ambos. Em outras palavras, a estatística geraria o preconceito, e não o contrário. E creio que, enquanto não o combatermos sob este ponto de vista, ele continuará a ser explorado para fins políticos nada nobres.

O inimigo é outro

Por quatro anos, Dilma mandou, o Congresso obedeceu. Se necessário fosse, Henrique Alves e Renan Calheiros levavam as votações até o nascer do sol para entregarem o que o Palácio do Planalto queria.

Mas tinha um Eduardo Cunha no meio do caminho. E Dilma foi por demais ingênua ao dar ouvidos a Mercadante entregando o presidente da Câmara (e do Senado) aos leões. Resultado: perdeu o Congresso, a governabilidade, e caiu.

Com Temer, contudo, há uma enorme diferença: o Congresso exige, Temer cumpre — ou tenta cumprir, mas vez em quando recua.

E o que o Congresso pede é tão ou mais feio do que o que Dilma exigia.

O inimigo agora é o parlamento. E derrubar o presidente servirá apenas para dar ainda mais poderes a esse adversário.

Eu cheguei a defender uma nova queda. Mas porque via, ali em novembro, uma janela para, em fevereiro, a opinião pública emplacar um presidente da Câmara e do Senado mais compromissado, bem… Com o bom senso.

Mas ninguém deu a mínima. Nem opinião pública, nem imprensa, nem oposição. Pareciam todos mais interessados no que estava acontecendo nos Estados Unidos.

Para o momento, não vejo outra alternativa: dois anos de severa vigilância e um trabalho sério de renovação em 2018.

Se parece impossível que consigamos construir algo positivo até lá, que ao menos evitemos que destruam o pouco que nos resta.

Negociar é abrir mão

Ainda que entenda o ponto deles, e acredite que os vegetarianos um dia vencerão a guerra, defendo o consumo de carne por entender que os 7 bilhões de seres humanos ainda precisam dele para não passarem fome.

A amiga vegetariana nunca absorveu bem meu posicionamento pois, enfim… É vegetariana.

Mas recentemente falou-me do que chamam “bem-estarismo”, que aceita o consumo de carne desde que ele não venha do sofrimento animal.

Soou-me justo. E bem-vindo. Pois encontramos um meio-termo: eu abri mão do sofrimento animal, ela abriu mão da proibição do consumo de carne. Ambos perdemos um naco para ganharmos um tanto.

Isso é negociar. Negociar é abrir mão de parte de suas crenças em benefício de um meio-termo que nos garanta paz.

Pena que o hábito venha sendo cada vez mais execrado.

Trump, Doria, Bolsonaro

Algo que une o voto em Trump, Doria e Bolsonaro: a crença de que a vontade política importa mais do que o poder de articulação. Já elegeu os dois primeiros, está assuntando com o avanço do terceiro.

No segundo caso, vem dando resultado. No primeiro, até pela natureza federal do trabalho, ainda não. Mas algo é preciso ser dito sobre Doria: ele tem um padrinho, alguém que o articulou, o que de certa forma dá a tudo um ar de farsa, ao mesmo tempo que parece mostrar aí o segredo do sucesso.

Vontade política? Poder de articulação? Na dúvida, ambos.

Nenhum privilégio a menos

Exigir que o governo resolva-lhe um problema é exigir que toda a sociedade direcione parte de suas economias em seu benefício. Não é errado querer isso, mas tais exigências deveriam nascer da mais pura razoabilidade. E, claro, não é o que se percebe no Brasil.

Porque a carga tributária come um terço de tudo o que é produzido por aqui, todos se sentem merecedores de algum grau de atenção governamental, e fazem pressão para que a fatia recebida seja maior. Contudo, nessa briga, aos mais fortes são reservados os maiores nacos.

Assim, os benefícios no Brasil são mal distribuídos de tal forma que muito do que chamam de “direito adquirido” facilmente atende pelo nome de “privilégio conquistado”. Vindo de quem vem, gritar “nenhum direito a menos” tantas vezes significa “não mexam nas minhas regalias“.

Tão ou mais errado é defender que um governo dedique-se igualmente a todos. Não. O Estado deve servir a quem precisa de Estado. E evitar atrapalhar aqueles que não precisam. Mas, no geral, do militante ao empresário, as vozes que vão a Brasília fazer pressão não são as mais necessitadas, mas aquelas que viram na prática um modelo negócio.

Na dúvida, basta lembrar que a propina paga pela Odebrecht retornou lucro acima dos 300% nos 12 países em que atuou.

Esquerda até demais

Essa nota de Lauro Jardim desenha muito bem a incoerência esquerdista. Sob o pretexto de garantir direitos a trabalhadores, o “advogado que derrotou o Uber” praticamente defende que apenas ricos – como ele – tenham motoristas particulares.

Há quantos motoristas de Uber no Brasil? Certamente um número bem menor que a quantidade de brasileiros que fazem uso do serviço, ou a atividade não seria rentável.

É a esquerda mais uma vez garantindo privilégios de uma minoria em detrimento do benefício de uma maioria.

Não era a opinião pública

Num dia, o STF evitou peitar a opinião pública e, mesmo havendo notícias de que já havia maioria lá dentro para soltá-lo, decidiu por 8 a 1 manter Eduardo Cunha preso.

No dia seguinte, peitou a tal opinião pública e decidiu que a sociedade deve indenizar criminosos que sofram com a superlotação dos presídios – praticamente todos os detidos.

Eu não estava entendo a lógica. Até esbarrar nesse tweet da senadora Vanessa, do PCdoB:

O STF não ficou com medo de peitar a opinião pública, ficou com medo de peitar a esquerda. Quanto à opinião pública, que enfrente desesperada os 60 mil assassinatos por ano, e ainda indenize a fração que encara por destino a detenção em presídios superlotados.

Amadorismo

Muitos amigos temem as ideias de Bolsonaro. Até por concordar com parte delas, eu temo mais o amadorismo. Essa enquete de Flávio, um dos três “bolsokids”, é um segundo exemplo só em 2017. O outro foi a candidatura do patriarca à Presidência da Câmara. Em ambos os casos, levantaram bolas para os adversários cortarem. Pior: impuseram algum constrangimentos à própria militância, já que defenderam o voto em Jair, mas só conseguiram quatro lá, e foram surrados por Lula aqui.

O quarteto precisa ser mais esperto do que isso.

Não é melhor que Friends

Mas está longe de ser ruim ao ponto de merecer um cancelamento no 13º episódio. Estou acompanhando Friends with Better Lives na Netflix. E me divertindo.

Eles aparentemente tentaram adotar os órfãos de How I Met Your Mother, que já eram órfãos de Friends, mas, chuto, o formato “risadas na quarta parede” já não funciona tão bem.

Até segunda ordem, órfãos de HIMYM devem buscar consolo em New Girl – sem claque.

Tucanice?

O Instituto Paraná, aquele que, durante a campanha de 2014, adorava mostrar Aécio Neves muito à frente de Dilma Rousseff, surgiu com uma pesquisa que testa João Doria como candidato tucano à Presidência da República.

O prefeito de São Paulo aparece em quinto lugar, atrás de Lula e Marina Silva, o que não surpreende ninguém, Jair Bolsonaro, o que confirmaria a pesquisa CNT, e Joaquim Barbosa.

(Quem, em pleno 2017, ainda aposta numa candidatura de Joaquim Barbosa?)

Fica, no entanto, a sensação de que isso é roupa suja querendo uma lavagem fora de casa. A ideia de candidatura de Doria pode ser fatal para administração da capital, afinal, o prefeito conta com o apadrinhamento de Geraldo Alckmin, a quem interessa presidir o Brasil. Se essa aliança for aos ares, perdem ambos.

E, mais do que petista, há tucanos interessados nessa derrota.

Exatas x humanas…

Havia um tempo em que as ciências exatas entravam em confronto com as ciências humanas. Pela própria visão de mundo mesmo. Que podem ser entendidas meramente como um duelo entre tecnicismo e casuísmo.

Hoje, assusta como o Vale do Silício aceitou sem pestanejar o espantalho “fake news” criado pela imprensa para censurar veículos alternativos. Com espantosa velocidade, Google, Facebook e Twitter já apresentaram soluções para calar vozes que apresentam uma visão de mundo distinta da do progressismo.

E é difícil não associar tudo isso à filosofia de Steve Jobs, que aproximou comunicação e tecnologia, ou seja, humanas e exatas.

Não, ele não tem culpa. Esse baixar de cabeça das ciências exatas soa mais um efeito colateral de uma solução bem sucedida. Mas deve ser combatido, claro. A ciência nunca produz nada de interessante quando todos os lados passam a ter a mesa visão de mundo.