The Affair, segunda temporada

A segunda temporada de The Affair consegue ser melhor que a primeira, ainda que a suspensão de descrença seja um pouco mais explorada. As coincidências convenientes tentam se justificar no minúsculo tamanho de Montauk, mas esquecem que vez em quando aqueles personagens estão em Nova Iorque. Quanto aos roteiristas, abusaram um pouco do recurso do celular que não atende, ou todo o drama seria resolvido numa simples ligação.

Mas, como ia dizendo, segue incrível. O enredo é simples, novelesco, de novela das seis. Contudo, o ritmo que a trama é tocada fisga, o flashback é muito bem explorado, os pontos chaves da história são entregues em migalhas, sempre no melhor momento. Sem falar que diálogos e atuações são ótimos.

No Brasil, pode ser vista na Netflix.

A “vitória” da direita em 2016 iniciou uma corrida à… esquerda?!

Nas eleições municipais de 2016, a direita teve o melhor resultado em décadas. E o PT, principal nome da esquerda, foi reduzido a décimo partido da República.

Iniciou-se ali uma fuga pela direita, certo?

Não. Iniciou-se ali uma briga pela nova liderança da esquerda.

Ciro Gomes quer que a nova esquerda seja o PDT.

Marcelo Freixo está certo de que a nova esquerda é o PSOL.

Geraldo Alckmin está pronto para mudar para o PSB caso o PSDB vire-lhe as costas.

FHC se engraçou defendendo Jean Wyllys e até foto ao lado de Duvivier fez, achando que o PSDB ocupará este posto.

Aécio Neves está lá concordando com a Folha de que isso de “fake news” é muito prejudicial.

Cristovam Buarque diz que será candidato a presidente de novo. Pela imprensa, o herdeiro do voto esquerdista seria Fernando Haddad.

Lula jura que está no páreo, apesar de todos sabermos que só busca um discurso para evitar a prisão. Até Dilma estaria sendo cogitado para o governo do RS.

Há ainda Eduardo Jorge no PV. E Marina Silva liderando qualquer segundo turno.

Só João Doria faz alguma graça com a direita, mas todos sabem que ele é Alckmin e rumaria junto para o PSB em dois tempos.

Sobrou o que na direita? Onyx Lorenzoni, que possivelmente você nem sabe quem é, Ronaldo Caiado, cada vez mais calado, e Jair Bolsonaro, que já começou a ser bombardeado e há muita munição contra ele.

Cabe lembrar também que Eduardo Cunha, em um ano, desceu de presidenciável a presidiário. E Feliciano, que tentou peitar a UNE, foi acusado de estupro e se escondeu dos holofotes.

A direita não é amadora. É assustadoramente amadora.

Moonlight

Não tem mistério. Ou você conta uma história muito boa, ou conta muito bem uma história qualquer. Para ser o melhor do ano, exige-se que, ao menos, conte-se muito bem uma ótima história.

Moonlight nem possui uma história marcante, nem é apresentada de uma forma marcante. Ou Hollywood teve uma safra muito ruim de filmes, ou o Oscar rendeu-se a fatores políticos para premiá-lo como melhor filme.

Eu aposto no segundo caso.

Novelaço

Comentei que The Affair era novelão, mas alguém entendeu isso como uma crítica. Então ajustemos o termo: novelaço.

Estou na metade da segunda temporada me perguntando: por que as novelas brasileiras não mais são assim? Calcadas em dramas familiares com os quais podemos facilmente nos identificar?

Sim, há uma trama maior envolvendo um possível assassinato. Contudo, soando menor que as outras: a destruição de uma família pela traição; o renascimento do indivíduo por essa mesma traição.

O ouro, no entanto, está na própria narrativa, na forma como cada personagem se porta a depender da visão assumida no roteiro. Poucas coisas soam mais realistas do que essa variedade de versões. Ao mesmo tempo em que nos perguntamos: em algum momento estamos vendo a verdade em tela?

Eu aposto que não.

Arte, pra que te quero?

É entretenimento puro. Mas, exigem os mais velhos, o lazer só vem após o dever. Ou seja… É algo que só deve acontecer quando tudo o que de fato importa já foi devidamente cumprido.

Esse dilema pesava em minha consciência quando eu ainda lutava para viver de arte, viver da organização de eventos, de festas. Incomodava-me o fato de aquilo que era tão importante para mim ser a segunda, terceira ou quarta prioridade na vida de tantos outros.

Como solucionava? Tentando politizar ao máximo o que criava, acrescentar uma luta social, uma ideologia, um desejo de mudar o mundo. Apenas para provar a mim mesmo que minha passagem pela vida tinha alguma relevância.

Hoje, entendo a politização da MPB, e as críticas desta à Bossa Nova e à Jovem Guarda, como uma vergonha semelhante à descrita mais acima.

É assim que também vejo esse desejo de Hollywood de ser tão ativa politicamente. Ela apenas sente vergonha de fazer fortuna com diversão.

E isso, claro, não deveria ser vergonha nenhuma.

Temer com 78% de rejeição

Em qual instituto confiar? Eu tenho motivos em suficiência para desconfiar de Datafolha, Ibope e Paraná. Dos que restam, o Ipsos me soa dos mais sóbrios. E, pela pesquisa dele, Michel Temer está com 78% de rejeição.

O presidente só não supera Eduardo Cunha (89%) e Renan Calheiros (82%), mas já deixou Dilma Rousseff para trás, que bateu em 74% no seu pior momento.

O dado também entrega quão perdida está a esquerda. Deveriam todos estarem fazendo faixas com o número para pularem carnaval. Mas simplesmente passou batido.

O Brasil está sem oposição. De novo.

Só me ocorrem dois momentos em que isso aconteceu: ditadura militar, e quando o PT comandou o país por 13 anos.

Em ambos os casos, deu muito errado.

O que quer o governo Temer

Resumidamente, evitar a cadeia. Mas, com popularidade tão baixa, só terá forças para tanto até o primeiro dia de janeiro de 2019, pois fatalmente passará o cargo a um opositor.

Então é esse o plano dele?

A mensagem de hoje, defendendo que a recessão está no fim, mesmo que ela ainda pese bastante no nosso lombo, pode ter entregado a estratégia. Seria uma espécie de fuga pela economia.

Faria sentido. A história ensina que, com muito dinheiro no bolso, o brasileiro topa de ditadura militar a petismo destruindo democracia e estrutura pública. E, até aqui, a equipe econômica vem fazendo um trabalho exemplar.

Se tais resultados chegam, Temer emplaca um sucessor, ou, quem sabe, até renova o mandato. E aí quem perde é a Lava Jato, que verá o parlamento, em conluio com o Supremo, inutilizar o que ainda resta de arma para se fazer Justiça no país.

E eu creio que os resultados virão.

Ou seja… Dallagnol, Moro e sua trupe precisam enfiar o pé no acelerador. A “janela de transferência” de Brasília para Curitiba aos poucos se fecha.