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Não escondi minha revolta quando as “TV’s” UOL e Folha apareceram no final de 2014 com reportagens abjetas ridicularizando os brasileiros que já iam às ruas exigir o impeachment de Dilma. Eu tinha certeza que faziam uso apenas do pior material colhido justo para arrefecer a vontade de dar fim à gestão petista. Foi quando um amigo jornalista insistiu que não, que as equipes tinham usado o que colheram, e a totalidade que estava ali era de fato estúpida.

Daquele ponto em diante, eu poderia seguir por três caminhos: o de tomar o tal amigo por mentiroso e seguir xingando UOL e Folha; o de aceitar como verdade e passar a gongar aqueles que queriam exatamente o que eu queria; ou de pesquisar o máximo que podia a respeito do processo e compartilhar com eles por todos os meios possíveis.

Sábia e modestamente escolhi a terceira opção. E o constante exercício de perguntar e dar publicidade às respostas obtidas abriu o caminho para que eu pudesse participar de projetos como o Antagonista e Implicante. Somados, passavam dos 5 milhões de leitores únicos, com alcance dez vezes superior em redes sociais.

Meses depois, era com certo orgulho que víamos muito do resultado daquelas pesquisas aparecer nas manifestações. Claro, nem todo mundo tinha pleno domínio de algo tão complexo, nem nós tínhamos. Mas o resultado foi tão positivo que, bem, Dilma findou caindo — e lógico que sei que não foi só por isso, mas quero crer que sem o referido trabalho o percurso teria sido ainda mais complicado.

Vejo amigos desancando a direita por hoje ela ainda ser tão despreparada. As críticas partem da ideia de que o conservadorismo já foi algo muito estruturado, e hoje seria chucro.

Sim, o conservadorismo já viveu dias bem melhores. Mas é importante lembrar que ele é um movimento de reação, reacionário. Ou seja… Veio depois. É mais jovem. Sempre foi. Ele só entra em campo quando o time está perdendo. Pra bloquear o avanço do adversário. Pra revisar o que está sendo feito e podar os devidos excessos.

Claro, o ideal seria sempre estar ativo. Mas ele adormeceu com o fim da Guerra Fria. Deu a missão por cumprida. Acreditou que deixar o mundo aos cuidados da “terceira via” séria razoavelmente seguro.

Duas décadas depois, veio a certeza de que foi um erro. Que essa parceria entre social-democracia e liberalismo foi leniente, deixou o autoritarismo dar as caras, destruir muito do que estava feito, ampliar os risco a patamares que imaginávamos superados.

E resolveu que era hora de renascer das cinzas. Com uma nova geração que nunca tinha feito política. Que estrutura nenhuma possui. Uma massa chucra.

Lógico que eu preferia ter ao meu lado uma time de Churchill’s e Thatcher’s. Mas a vida me jogou ao lado de web celebridades e comunicadores histéricos. Contudo, o mais caro eles me dão: vontade política, uma raridade que não encontro em lugar nenhum no mundo, pois este mundo ainda me tem por inimigo.

E confesso que me empolga a ideia de retomar o trabalho do zero, de lapidar toda uma massa bruta e fazer o trabalho que tem que ser feito.

E o que fazer? Gongar o colega que está causando-lhe vergonha? Não. É o mesmo dilema do novembro de 2014: pesquisar e compartilhar.

Se você sabe de algo, compartilhe. Se não sabe, pergunte e compartilhe a resposta. Se notou o amigo errando, abra mão de esculhambá-lo e abra um flanco para o diálogo. Nós ainda somos poucos e pobres demais para estarmos nos dando ao luxo de abdicarmos de aliados.

Só iremos longe se formos na primeira pessoa do plural. Do contrário, ficaremos na primeira pessoa do singular nos vangloriando de nossa fidalguia.

Não é fácil, eu mesmo engulo muito sapo. Mas, quando o sangue esfria, fico feliz em saber que driblei uma briga em prol de algo mais produtivo. E indico a postura a qualquer um.

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Publicado por

Marlos Ápyus

Um cara simples

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