E agora, amigos, para onde?

Creio que o maior erro desse imbróglio é dividir os envolvidos em apenas dois grupos para lá de confusos. Eu enxergo alguns personagens a mais: há, claro, os governistas, que, a exemplo do que já aconteceu no processo de cassação no TSE, mais uma vez se safaram mesmo com a apresentação de provas barulhentas; dissimulado ou não, há o petismo de todos aqueles que fizeram corpo mole para os 13 anos de roubalheira do PT, como a imprensa, a classe artística, a PGR, a CNBB, a OAB, o movimento estudantil, o sindicalismo e basicamente qualquer formador de opinião mais tradicional; há a classe média, principal defensora da operação Lava Jato, a de verdade, aquela de Curitiba, e não essa de Brasília que oferece anistia a um dos empresários que mais lesou a nação; e há o que chamarei aqui de povo, as classes menos favorecidas, que só costumam se pronunciar nas urnas mesmo, que são a todo tempo cortejadas e são as que mais sofrem dos efeitos danosos de uma estrutura pública ineficaz.

É possível ainda dividir a classe média em dois subgrupos: vou chamá-los de liberais, que acreditam na necessidade de algum cálculo político para seguir adiante, e de conservadores, que se agarram aos próprios princípios e, com bastante razão, acreditam que se desgarrar deles é apenas repetir os erros que nos trouxeram até aqui.

Eu hoje me vejo entre estes dois últimos grupos. Entendo que minha profissão tem por missão defender princípios. E atacarei todos os que erram sempre que se fizerem merecedores. Mas entendo perfeitamente a necessidade do cálculo político. A Lava Jato, em si, só chegou aonde está hoje por fazer muita conta. E o melhor exemplo é a condenação de Lula: havia motivos de sobra para prendê-lo, mas Sérgio Moro entendeu que uma prisão agora iniciaria toda uma cadeia de reações que colocaria tudo a perder.

Nessa briga interna da classe média, os liberais ganharam momentaneamente a briga. Os manifestantes não foram às ruas, não bateram panela, sentem nojo do governo Temer, mas o recebem como um remédio amargo para evitar uma volta do PT. Todavia, quem corre por fora são os conservadores, os únicos até aqui com um candidato que está assustando o adversário.

Em resumo: o petismo mandou um “all in” contra o governo Temer, a classe média sacou o movimento, não deu cobertura ao ataque, os governistas se sentiram livres para engavetarem tudo, e até sufocaram a Lava Jato, que sobreviveu, sabe lá por quanto tempo. Quanto ao povo, assiste a tudo de saco cheio, há de se pronunciar a respeito apenas nas urnas – como vem fazendo nas últimas décadas.

Mas e agora, amigos, o que fazer?

A batalha acabou, a guerra segue seu curso. Agora, imagino, é cuidar dos feridos. A austeridade sofreu um duro golpe, assim como a Lava Jato curitibana. Ambas precisam de mais proteção do que nunca, e certamente poderão contar com o apoio da classe média como um todo (liberais e conservadores).

O governismo e o petismo serão resolvidos em 2018: a internet se lembra. E fará questão de lembrar a todos os eleitores o que PMDB, PSDB, PT, PCdoB, PSOL, PDT, PSB, DEM, REDE e PP estão aprontando. Isso renderá uma chance de ouro para siglas nanicas que não se envolveram nas denúncias ou nesses movimentos sujos, como NOVO, PSL e PV. Que estas façam bom uso da oportunidade.

Eu ainda vejo uma janela – apertada, é verdade – para que a classe média proponha nomes às disputas do ano que vem. Eu curto alguns nomes, e acho que eles poderiam se arriscar: Janaina Paschoal, Fernando Gabeira, Mansueto Almeida, Julio Marcelo e Flávio Rocha foram os que me ocorreram em âmbito nacional.

Em resumo: defender a Lava Jato, defender a austeridade, construir alternativas.

E principalmente: dialogar com o povo. Eles farão a diferença mais uma vez. Lula, Ciros Gomes e Jair Bolsonaro já sacaram isso e já foram às ruas para o corpo a corpo. Se você não gosta destas três alternativas, está mais do que na hora de buscar diálogo semelhante.

De minha parte, as alternativas estão sendo construídas no politicas.info e implicante.org. Quero crer que farei de ambos bons canais para a cobertura disso tudo. Torçam por mim. Agradecerei.

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Publicado por

Marlos Ápyus

Um cara simples

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