Quem o Netflix pensa que engana com Nobody Speak?

Entreguei-me a Nobody Speak: Trials of the Free Press salivando para entender a vingança fria e calculada que faliu o Gawker e fez com que o Gizmodo pedisse recuperação judicial. Mas encontrei um punhando de jornalistas cínicos vendendo-se como profissionais de um ramo cândido vitimados por bilionários que apenas queriam eleger Donald Trump e calar a imprensa.

Essa mesma imprensa não pensa duas vezes antes de me retratar como golpista, islamofóbico, ultradireitista e disseminador de notícias falsas. Essa mesma imprensa aproveitou o início de 2017 para atacar o AdSense e quebrar a fonte de receitas de milhares de projetos alternativos que, como os meus, não se renderam ao discurso dela. Mas nada disso aparece em Nobody Speak.

O recorte só mostra o chilique de Trump contra os jornalistas, sem contexto, sem as falsas denúncias de estupro, a veiculação de notícias não verificadas sobre urina nos colchões de hotéis russos, o gritante tratamento diferenciado recebido pelo republicano nos debates televisionados e, enfim, a forma como ele estava muito mais em sintonia com o que o eleitor americano pensava.

Peter Thiel, que é parodiado na ficção como uma rara mente do Vale do Silício a não mirar apenas ganhos com ações, é pintado como um bilionário censor e vingativo. O jornalista que o tirou do armário justifica a publicação dos detalhes íntimos por também ser gay e não ver nada errado em alguém ser gay. Mas ignora que eu aprendi justo com gays como ele que quem decide a hora de sair do armário é o próprio homossexual enrustido. Afinal, ninguém sabe melhor do que este a angústia, drama e riscos pelos quais passa. E essa regra deveria valer até mesmo para bilionários como Thiel.

Mas Thiel é libertário. E pediu voto para Trump. Com ele, não só pode, deve.

Se você acha que nessa guerra tem vilões apenas de um lado, talvez até curta Nobody Speak. Mas se você sabe como a apuração de notícias é cara, e que ela só se mantém com o aporte de ricaços de todos as cores e crenças, perceberá que o documentário de Brian Knappenberger é apenas mais uma peça de propaganda política a apostar na falta de informação do público. Do tipo de apostador que cada vez mais perde apostas.

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Publicado por

apyus

Um cara simples

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