Política de pontos corridos

Comparações com futebol costumam ajudar. Então, abusemos delas.

Antes, a política era feita num formato Copa: pequenos grupos se uniam, escolhiam seus vencedores, que se enfrentavam em grupos ainda menores, que definiam os vencedores, e assim seguiam compondo a pirâmide, até que o topo do comando tomasse a decisão algumas camadas distante da base.

Mas insistiram que, se você não participasse diretamente da decisão, você seria um analfabeto político. Era preciso voto direto, pressão no gabinete, democracia líquida, politizar tudo e todos.

A combinação de smartphones com redes sociais tornou possível a gigantesca ação. Transformando a competição em pontos corridos: todos enfrentam todos, a disputa é desgastante, alongada ao limite da paciência, só os mais fortes sobrevivem.

Nos 14 anos que antecederam a “era dos pontos corridos”, onze equipes distintas, uma delas nanica, levantaram a taça. Nos 14 anos seguintes, apenas sete, e sete do grupo das 12 maiores.

Os sistemas de pesos e contrapesos democráticos foram pensandos para evitar-se que maiorias esmagassem minorias. Hoje, com nervos à flor da pele após uma competição tão desgastante, é essa a sede das maiorias. E quem irá conté-las?

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Publicado por

apyus

Um cara simples

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