Como o impeachment de Dilma impediu o de Temer

O “povo” é uma abstração bem mais complexa do que imaginamos. Para um grupo representá-lo, precisa de indivíduos de cada segmento da sociedade. Dito isto, resta-me a sensação de que nenhum ato político no Brasil jamais foi protagonizado pelo povo.

Planilhados os números, os atos de 1992 são nanicos. Têm entre 5 e 10 mil participantes. No melhor momento, cinquenta mil em contagem pouco confiável. Era só PT, CUT e UNE. Mas a imprensa noticiava como povo.

Contra Dilma, a mesma imprensa negava manchetes a atos de mesma proporção. A solução foi elevá-los em algumas potências. Qualquer coisa com menos de 50 mil era fracasso. Mas chegou a 1,5 milhão em uma única cidade.

Ainda não era povo, mas era a classe média. Se não era tão digno quanto, certamente era mais do que militantes do PT, CUT e UNE. O mais importante, contudo, reside no aumento do ponto de corte.

Contra Temer, a imprensa até tentou. Mas, de novo, só conseguiu levar CUT, UNE e PT às ruas. Se ainda fosse 1992, poderia ter chamado de povo. Contudo, os coxinhas não deixariam isso se repetir impunemente em 2017.

Ensina a história, sem povo — ou “povo” — nas ruas, não se derruba presidente. Eu só não sei até que ponto isso é bom.

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Publicado por

apyus

Um cara simples

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