Nenhum privilégio a menos

Exigir que o governo resolva-lhe um problema é exigir que toda a sociedade direcione parte de suas economias em seu benefício. Não é errado querer isso, mas tais exigências deveriam nascer da mais pura razoabilidade. E, claro, não é o que se percebe no Brasil.

Porque a carga tributária come um terço de tudo o que é produzido por aqui, todos se sentem merecedores de algum grau de atenção governamental, e fazem pressão para que a fatia recebida seja maior. Contudo, nessa briga, aos mais fortes são reservados os maiores nacos.

Assim, os benefícios no Brasil são mal distribuídos de tal forma que muito do que chamam de “direito adquirido” facilmente atende pelo nome de “privilégio conquistado”. Vindo de quem vem, gritar “nenhum direito a menos” tantas vezes significa “não mexam nas minhas regalias“.

Tão ou mais errado é defender que um governo dedique-se igualmente a todos. Não. O Estado deve servir a quem precisa de Estado. E evitar atrapalhar aqueles que não precisam. Mas, no geral, do militante ao empresário, as vozes que vão a Brasília fazer pressão não são as mais necessitadas, mas aquelas que viram na prática um modelo negócio.

Na dúvida, basta lembrar que a propina paga pela Odebrecht retornou lucro acima dos 300% nos 12 países em que atuou.

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Publicado por

Marlos Ápyus

Um cara simples

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