Chega de “Where Is My Mind?”

Com spoilers de Clube da Luta, Leftovers, Mr Robot e Westworld.

O personagem principal se descobre esquizofrênico e Where Is My Mind entra na trilha sonora.

Rolou em Fight Club (1999):

Em The Leftovers (2014):

Em Mr. Robot (2015):

Não era bem esquizofrenia, mas envolve também vozes dentro da mente. Westworld (2016):

Ela também está em Mr Nobody (2009):

Em Sucker Punch (2011):

Horns (2013):

Suicide Squad (2016):

E Criminal Minds (2005):

Fãs acharam pouco e criaram um clipe em homenagem a Breaking Bad com ela:

Por mim, chega.

Quem o Netflix pensa que engana com Nobody Speak?

Entreguei-me a Nobody Speak: Trials of the Free Press salivando para entender a vingança fria e calculada que faliu o Gawker e fez com que o Gizmodo pedisse recuperação judicial. Mas encontrei um punhando de jornalistas cínicos vendendo-se como profissionais de um ramo cândido vitimados por bilionários que apenas queriam eleger Donald Trump e calar a imprensa.

Essa mesma imprensa não pensa duas vezes antes de me retratar como golpista, islamofóbico, ultradireitista e disseminador de notícias falsas. Essa mesma imprensa aproveitou o início de 2017 para atacar o AdSense e quebrar a fonte de receitas de milhares de projetos alternativos que, como os meus, não se renderam ao discurso dela. Mas nada disso aparece em Nobody Speak.

O recorte só mostra o chilique de Trump contra os jornalistas, sem contexto, sem as falsas denúncias de estupro, a veiculação de notícias não verificadas sobre urina nos colchões de hotéis russos, o gritante tratamento diferenciado recebido pelo republicano nos debates televisionados e, enfim, a forma como ele estava muito mais em sintonia com o que o eleitor americano pensava.

Peter Thiel, que é parodiado na ficção como uma rara mente do Vale do Silício a não mirar apenas ganhos com ações, é pintado como um bilionário censor e vingativo. O jornalista que o tirou do armário justifica a publicação dos detalhes íntimos por também ser gay e não ver nada errado em alguém ser gay. Mas ignora que eu aprendi justo com gays como ele que quem decide a hora de sair do armário é o próprio homossexual enrustido. Afinal, ninguém sabe melhor do que este a angústia, drama e riscos pelos quais passa. E essa regra deveria valer até mesmo para bilionários como Thiel.

Mas Thiel é libertário. E pediu voto para Trump. Com ele, não só pode, deve.

Se você acha que nessa guerra tem vilões apenas de um lado, talvez até curta Nobody Speak. Mas se você sabe como a apuração de notícias é cara, e que ela só se mantém com o aporte de ricaços de todos as cores e crenças, perceberá que o documentário de Brian Knappenberger é apenas mais uma peça de propaganda política a apostar na falta de informação do público. Do tipo de apostador que cada vez mais perde apostas.

Três pontos incômodos da reforma trabalhista

O site do Senado publicou um resumo para quem, como eu, estava com dificuldade para acompanhar as discussões sobre a Reforma Trabalhista. Na breve leitura, nota-se um esforço em trazer para um novo século uma relação de trabalho desenhada ainda nos anos 1940. O que não nos impede de colocar o pé atrás com algumas medidas.

Três – ou “apenas três” – de fato me incomodaram:

  • O trecho que atinge “gestantes e lactantes”. E o problema não é nem permitir o trabalho em duas das três categorias de insalubridade. É deixar a cargo da mulher grávida, ou com filho recém-nascido, a obtenção de um atestado que a impeça de trabalhar em situação degradante.
  • O trecho sobre “autônomos exclusivos”. Pelo parágrafo publicado no site do Senado, legaliza-se por completo os “pejotas”, profissionais que mascaram a CLT se fazendo passar por empresas. É uma relação que poderia existir, mas não em caráter de exclusividade.
  • Os danos morais proporcionais ao salário. Pois criam uma desnecessária cisão em que vítimas de um mesmo dano receberão indenizações de valores distintos, ou até bem distintos.

Eu ainda pretendo dedicar mais leitura ao tema, principalmente sobre os tópicos acima. Quero crer que o resumo do Senado deixou escapar nuances de toda a discussão. Mas, por enquanto, são os trechos que me soam merecedores de vetos.

Apesar de tudo, é boa a notícia de que a Globo não consegue derrubar presidente

Porque quem tem que derrubar presidente da República é o povo, e não um grupo de anunciantes reunidos a portas fechadas com o presidente da Câmara.

Houve uma convocação. E todas as linhas auxiliares distribuíram convites: OAB, CNBB, imprensa, classe artísticas, sindicatos, movimento estudantil, etc… Décadas atrás, qualquer um desses gritando rimas pobres sob os balões da CUT era chamado de povo. Com o impeachment de Dilma, a classe média elevou o ponto de corte. Se milhões não tomam as ruas, e com as cores do país, não podem chamar de povo, apenas de militantes.

Sem pressão popular, os parlamentares não cedem, por mais que a imprensa antecipe o fim. Ao menos é o que se observou por toda a história. E o que se observa também até aqui.

A manutenção de tantos corruptos no poder é, sim, péssima notícia. Mas, ao que tudo indica, entre a impunidade para esta corja, e o risco de devolver o comando a um grupo político tão antipático à democracia, o povo viu prejuízo menor na primeira opção. E, ainda que seja meu dever de ofício defender o contrário, não consigo recriminar a decisão dele.

The Returned era mais Lost do que The Leftovers

Cuse e Lindelof saíram traumatizados de Lost. Porque escreveram um mistério tão instigante que, ao final, foram incapazes de bolar um desfecho tão interessante quanto a jornada. Eu gostei. Mas entendo a revolta gerada ali por 2010.

Desde então, o trabalho da dupla é visto com ceticismo pelo público. Lindelof apareceu com Leftovers, um drama sobre pessoas que somem, que só ganhou aplausos da segunda temporada em diante. Cuse tem ido bem com Bates Motel, mas o algoritmo do Netflix primeiro me convenceu a conferir The Returned, um suspense sobre, vejam só, pessoas que ressurgem.

Após descobrir que a adaptação americana de Les Revenants veio de metade dos criadores de Lost, as comparações se impõem. Se esta tinha uma ilha misteriosa, essa possui uma pequena cidade como antagonista. A “fumaça preta” deu vez a uma “água preta”. Os flashbacks e os episódios dedicados às origens de personagens específicos são peças importantes de ambas. Há também o personagem místico que acredita entender melhor todo o mistério e ser capaz de guiar os perdidos — em vão.

Até a gororoba com ervas para curas mágicas deu as caras novamente. E, claro, os vícios de roteiro: várias das decisões dos personagens, justo aquelas que mais sustentam os mistérios, não convencem.

Talvez Cuse preparasse o terreno para contar uma segunda história dentro do mesmo universo. Mas jamais saberemos, pois a série foi cancelada ao fim da primeira temporada, e com pontas bem soltas. Mas serve como diversão. Ou ainda como motor para uma busca pela versão francesa. Nesta, a segunda temporada foi ao ar, ainda que a história tenha tomado um rumo bem distinto.

Ainda estudando o adversário

A verdade é que a direita brasileira é verde, amadora, renasceu das cinzas após o inverno de 2013. E luta contra veteranos que estão neste jogo há décadas. Por isso me permito tentar aprender algo com o adversário. E, cada vez mais, atenho-me ao lema “a luta continua, companheiro”.

Há três lições aí.

Primeira: a luta não tem fim, não tem descanso, não há um momento em que você se aposente dela.

Segunda: venha uma vitória, ou principalmente uma derrota, é preciso estar preparado, de cabeça erguida, para o passo seguinte.

Terceira: por mais que haja conflitos internos, o combatente ao seu lado é seu companheiro, seu irmão, seu aliado. Você precisa da ajuda dele, e ele precisa da sua.

Que um dia a direita aprenda isso.

Não era da minha conta

Os ataques à designer que oferecia moradia compartilhada em troca de cuidados ao filho dela partiram dos reaças, ou seja, dos antipetistas. Aposta minha: movidos pelo tom “feminista” do panfleto publicado, e como provocação à incoerência da esquerda, que tanto exige CLT dos patrões, mas rapidamente esquece dela quando do outro lado.

De início, concordei com a turba. Mas logo fui alertado, vejam só, por uma esquerdista. Lembrou-me que, se um lado queria oferecer aquela oportunidade, e o outro tinha pleno interesse nela e nas condições apresentadas, nada daquilo deveria ser da minha conta.

E, creiam, não era.

Das falhas do liberalismo

Eu já fui mais empolgado com o liberalismo. E nem faz tanto tempo. Hoje, ele me soa um bom macete para a prova: colocando-o em prática, você acerta bem mais do que erra. E isso ainda é um elogio, por mais que seus principais devotos não aceitem qualquer gentileza que não o enquadre como perfeição.

Em especial, noto falhas na lógica defendida para a segurança pública. Mais especialmente ainda, na imigração descontrolada. No que explicitamente pedi explicações, ganhei estatísticas. Que até funcionam para justificar uma ou outra medida pública, mas não evitam que o problema siga ganhando corpo e colecionando vítimas que não irão se consolar com números numa planilha.

Também me incomoda a relação de expoentes deste mercado com o que de pior a humanidade produziu. Após séculos, a escravidão voltou à história europeia por obra de mercantilistas. Mas a coisa não parou ali. Partiu da lógica do mercado o emporcalhamento do meio ambiente, além do apoio a genocidas, ditadores e corruptos. 

O papo de que esse não é o verdadeiro capitalismo, é o de compadrio, de Estado, etc, lembra-me o de que o verdadeiro socialismo ainda está por vir. A mim, parece cada vez mais claro que o mercado só é benéfico quando alguém contém seus exageros. E essa contenção parte da sociedade, por intermédio de seus governos, que se veem obrigados a representá-los em algum momento. Quando não há a devida cobrança, agem como comparsas, como predadores. E o Brasil conhece bem essa realidade. É a que vive hoje.

Do pouco que sei, desconheço motor melhor para mudanças benéficas à sociedade. Ainda assim, cabem questionamentos, como os dos parágrafos anteriores. Até que respostas satisfatórias venham, ficará a sensação de que a teoria falha em pontos cruciais. E que o mais prudente é evitar mergulhos de cabeça nela.

O primeiro robô perfeitamente “humano” terá função sexual 

Comentei algo nesse sentido recentemente com amigos: não está longe o dia em que um robô terá feições perfeitamente humanas; e o pioneiro terá uma função sexual.

Uma matéria da BBC, contudo, adiantou que um primeiro passo nesse sentido já foi dado no Japão.

O pior é não conseguir recriminá-los: se é o que faz com que suportem a solidão, e solidão é algo cruel ao ponto de colocar muita vida em risco, eu tenho mais é que ficar na minha.

Política de pontos corridos

Comparações com futebol costumam ajudar. Então, abusemos delas.

Antes, a política era feita num formato Copa: pequenos grupos se uniam, escolhiam seus vencedores, que se enfrentavam em grupos ainda menores, que definiam os vencedores, e assim seguiam compondo a pirâmide, até que o topo do comando tomasse a decisão algumas camadas distante da base.

Mas insistiram que, se você não participasse diretamente da decisão, você seria um analfabeto político. Era preciso voto direto, pressão no gabinete, democracia líquida, politizar tudo e todos.

A combinação de smartphones com redes sociais tornou possível a gigantesca ação. Transformando a competição em pontos corridos: todos enfrentam todos, a disputa é desgastante, alongada ao limite da paciência, só os mais fortes sobrevivem.

Nos 14 anos que antecederam a “era dos pontos corridos”, onze equipes distintas, uma delas nanica, levantaram a taça. Nos 14 anos seguintes, apenas sete, e sete do grupo das 12 maiores.

Os sistemas de pesos e contrapesos democráticos foram pensandos para evitar-se que maiorias esmagassem minorias. Hoje, com nervos à flor da pele após uma competição tão desgastante, é essa a sede das maiorias. E quem irá conté-las?

A luta é contínua

Quando aproximei-me da Reaçonaria, encontrei um grupo de indivíduos de uma pluralidade ainda inédita para mim. Lembro que, nessa época, se eu ainda não me dizia esquerdista, me apresentava como social democrata. Ou, vá lá, esquerda liberal. No que desconfiavam, eu sacava o diagrama de Nolan como prova.

E, já naquele tempo, eu sabia: o que nos mantinha unido era o inimigo em comum. Em maior ou menor grau, em algum momento fomos chutados por ele, o que exigiu de nós algum nível de reação. Nesse sentido, nada melhor do que orbitar a “reaçonaria” com este propósito.

Passado o impeachment de Dilma Rousseff, alguns entenderam que o inimigo comum havia sido derrotado. Outros, como eu, que ele apenas perdera a batalha no campo em que mais se expunha. Desde então, há uma guerra civil em curso, com liberais sentindo nojo de conservadores, conservadores sentindo nojo de liberais, e sociais-democratas pregando nojo a ambos.

Quero crer que 2018 fatalmente voltará com essa turma ao barco, ainda que por um breve segundo turno. O que não torna o processo menos desgastante. Nunca fui tão atacado em minha vida, e o fogo partiu de potenciais aliados.

Estudar o adversário é algo que ajuda bastante. E ele acerta em cheio quando repete que a luta é contínua. É isso o que os mantém unidos, ou o que os força a lavar a roupa suja em casa.

Que um dia o lado de cá aprenda a lição.

A maldição do “É Tois”

A foto abaixo completa três anos hoje. Após sua publicação, o Brasil nunca mais seria o mesmo. Já no dia seguinte, a seleção brasileira de futebol perderia por 7 a 1 para a Alemanha numa semifinal de Copa do Mundo jogada em casa. Mas seria só o início da maldição. Dilma Rousseff seria reeleita. O desemprego atingiria 14 milhões de brasileiros. A saúde continuaria caótica, e os assassinatos chegarima à casa dos 60 mil óbitos anuais. Todas as instituições seriam desmoralizadas e o país entraria numa depressão da qual não sairia até hoje.

Tudo por causa dessa maldita foto.

A força das circunstâncias

Em 6 de março de 2015, comentei no Twitter:

As opções para PT e PMDB são:

  1. Irem se desgastando com a opinião pública para manterem Dilma na presidência;
  2. Ou usarem Dilma como bode expiatório, entregarem a presidência a Temer e sossegarem a opinião pública até as próximas eleições.

Sossegando a opinião pública, reduz-se bastante a pressão por justiça, e aí PT e PMDB terão algum fôlego para se safarem.

Vale pena se sacrificar para manter Dilma, essa política articulada e forte (cof cof) no poder? Talvez valesse por Lula.

Enfim… Minha aposta é que ainda esse ano veremos Dilma renunciando para não sofrer impeachment e perder direitos políticos.

Em 12 de julho daquele ano, já reconhecendo que perderia a aposta, retomei o caso lembrando que Cristóvam Buarque vazara o plano do PT: entregar a cabeça de Dilma.

O áudio de Jucá falando em acordo com Supremo, com tudo, para salvar Lula e todo mundo surge apenas no semestre seguinte, já em 2016.

Certamente, muito cacique participou de reunião nesse intervalo para o alinhamento do posicionamento. Mas o que hoje ocorre em benefício do governo Temer, com tantos poderosos saindo impunes, com o próprio STF colaborando com a impunidade, e diferente do que insinua a esquerda, parece mais consequência das circunstâncias do que de um plano maquiavélico tramado por quem pedia o impeachment da petista.

Ao não comparecer às ruas, o brasileiro dá um recado: prefere a impunidade rolando solta do que correr, por ora, o risco de voltar a ser presidido pelo PT.

E, por tudo o que aconteceu, é difícil tirar-lhe a razão.

Proporcionalmente, Maduro mata 8 vezes mais do que a ditadura brasileira

Uma conta rápida para se entender a gravidade da coisa. A Venezuela vive uma onda de protestos iniciada em 1º de abril de 2017. Nos 95 dias que se passaram desde então, um total de 91 venezuelanos foram mortos.

Se considerarmos que os “anos de chumbo” brasileiros ocorreram durante a vigência do AI-5, trata-se de um período de 3.652 dias. No ritmo atual, o governo Maduro somaria 3.498 vítimas num recorte de igual duração. Mas a Comissão da Verdade reconheceu 434 mortos e desaparecidos enquanto o Brasil esteve sob uma ditadura militar.

Em outras palavras, a ditadura venezuelana avança sobre a própria população com uma letalidade oito vezes maior do que a observada por aqui.

Isso não alivia em nada período tão lamentável da história nacional. Mas desenha melhor a gravidade do que vive o vizinho mais ao norte.

A fera

Finalmente cedi à pressão e comecei Sons of Anarchy. Já ali nos primeiros minutos, ela verbalizou o que eu havia pensando:

— É impressionante como ele é feio.

— Eu tenho a sensação de que o conheço de algum lugar.

Na madrugada, uma imagem compartilhada nas redes sociais acendeu o alerta.

Seria isso? Ron Perlman lembrava muito a Fera, da Bela e a Fera, série de 1987 com Linda Hamilton.

Nessas horas, só o IMDB salva. E…

Há 30 anos. Direto do túnel do tempo.

Roadies – Única Temporada

Vejamos se me empolgo com a brincadeira. Eu não gosto das opiniões da crítica. No geral, me soam membros de uma bolha disputando atenção interna. Interessa-me mais as dos consumidores. E, nesse quesito, desconheço ferramenta mais autêntica que o IMDB, ainda que seja geek além da conta.

No caso de série, mais do que a nota dado ao produto, interessa-me a dada ao episódio. Assim, vislumbro uma forma de entender como cada temporada se comporta jogando tais avaliações num gráfico.

Regras explicadas, seguem as notas da única temporada de Roadies. Em vermelho, minhas contribuições.

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Imagina no segundo turno

Eu acho, inclusive, que o formato ideal de votação seria esse: confronto direto entre todas as opções possíveis, com o eleitor escolhendo sua preferência em cada par. Praticamente um Brasileirão por pontos corridos. Obviamente, seria inviável numa eleição com tantos candidatos, a não ser que o modelo americano de votação em múltiplos dias fosse adotado.

Mas a brincadeira do imaginanosegundoturno.com serve ao menos como métrica da popularidade de cada personagem.

Até o momento da redação deste texto, dentre as opções que se assanham por 2018, os mais fortes seriam:

  1. João Doria (74%)
  2. Joaquim Barbosa (72%)
  3. Geraldo Alckmin (63%)
  4. Marina Silva (57%)
  5. Fernando Haddad (57%)
  6. Marcelo Freixo (51%)
  7. Ciro Gomes (48%)
  8. Jair Bolsonaro (42%)
  9. Luciana Genro (36%)
  10. Aécio Neves (36%)
  11. Lula (25%)

A derrota de Lula até mesmo para nomes da esquerda mostra que a brincadeira, claro, ainda não chegou ao “povão”, se é que algum dia chegará. Mas dá uma ideia de como a ala mais influenciadora da web pode se comportar no ano que vem. E ela será mais importante do que nunca.

Também é importante observar como a ala alckmista do PSDB foi menos afetada pela Lava Jato.

EM PARTE, os “intervencionistas” tinham razão, mas…

A pauta absurda se sustentava em premissas verdadeiras: o problema não era Dilma, era o sistema; trocá-lá não resolveria o problema, afinal, toda a linha sucessória e suas fatais alternativas eram um lixo; o texto constitucional é propositalmente subjetivo, ou não seria aprovado em 1988, ou seja, permite todo tipo de interpretação, até mesmo as mais amalucadas.

Dilma caiu. Cunha caiu. Toffoli e Lewandowski deram espaço a Mendes e Lúcia. E o sistema apenas partiu com mais sede para cima da impunidade. Em outras palavras, os “intervencionistas” tinham alguma razão. Ao menos nas premissas. Mas…

Mas eles sumiram das ruas após a consumação do impeachment. Fortalecendo as suspeitas de que seus adeptos, ou seus líderes, financiados sabe-se lá por quem, moviam-se apenas com o interesse de tumultuar o processo em curso.

Tumultuaram. Mas não impediram o impedimento.

Calmaria deltaniana

Assumi que o caminho é acompanhar a reação de Deltan Dallagnol. Quando ele aponta risco à saúde da Lava Jato, corro à farmácia para comprar remédio. Ele continua reclamando, mas já foi bem menos contido.

A reversão da prisão de Vaccari soou um sinal de que enterravam a operação. Ou, ao menos, de que preparavam o terreno para absolverem Lula na segunda instância.

Moro sempre deixou claro: sem o medo da punição, não há delação, a investigação não avança, não tem cadeia, não tem Justiça. Por tudo o que STF aprontou recentemente, acabou o medo, acabou a Justiça.

Mas Deltan não está tão histérico. Sigamos com fé.

Como o impeachment de Dilma impediu o de Temer

O “povo” é uma abstração bem mais complexa do que imaginamos. Para um grupo representá-lo, precisa de indivíduos de cada segmento da sociedade. Dito isto, resta-me a sensação de que nenhum ato político no Brasil jamais foi protagonizado pelo povo.

Planilhados os números, os atos de 1992 são nanicos. Têm entre 5 e 10 mil participantes. No melhor momento, cinquenta mil em contagem pouco confiável. Era só PT, CUT e UNE. Mas a imprensa noticiava como povo.

Contra Dilma, a mesma imprensa negava manchetes a atos de mesma proporção. A solução foi elevá-los em algumas potências. Qualquer coisa com menos de 50 mil era fracasso. Mas chegou a 1,5 milhão em uma única cidade.

Ainda não era povo, mas era a classe média. Se não era tão digno quanto, certamente era mais do que militantes do PT, CUT e UNE. O mais importante, contudo, reside no aumento do ponto de corte.

Contra Temer, a imprensa até tentou. Mas, de novo, só conseguiu levar CUT, UNE e PT às ruas. Se ainda fosse 1992, poderia ter chamado de povo. Contudo, os coxinhas não deixariam isso se repetir impunemente em 2017.

Ensina a história, sem povo — ou “povo” — nas ruas, não se derruba presidente. Eu só não sei até que ponto isso é bom.

O sistema é mau, mas minha turma é legal

Porque o calor não me deixava dormir, eu só pegava no sono com um ventilador ligado. Porque desde sempre sou uma vítima da rinite alérgica, o ventilador me fazia amanhecer com as vias aéreas em frangalhos. Mas dessa obviedade eu só me toquei aos 29 anos, quando me mudei para a frieza de São Paulo. Até então, passei toda uma vida escolar me escondendo da atenção alheia, afinal, não queria que os colegas de estudo me flagrassem manipulando muco na cadeira ao lado. Assim, mesmo na condição de bom aluno, escondia-me lá no fundo, onde teria a companhia exclusiva de outros introvertidos. Ou, como são mais conhecidos, “a turma do fundão”.

Era uma fauna diversificada. Tinha do playboy que acordava tarde com ressaca ao garoto da periferia que também chegava atrasado, mas por perder o ônibus. Um queria ser músico, outro queria ser jogador de futebol, mas a maioria ainda não sabia o que queria. Nem o CDF com facilidade acima da média para o aprendizado, muito menos o aluno repetente, que se comportava como uma hiena, rindo e fazendo graça de tudo.

Mas havia algumas características em comum. Em especial, a descrença no sistema, ou a sensação de que a maior parte do tempo dedicado a ele de nada seria útil em suas vidas – no que tinham plena razão.

De minha parte, apeguei-me a eles por um motivo simples: foi o primeiro – e talvez único – grupo de amigos que me aceitou sem ressalvas. Se eu contava da minha banda de rock, não reclamavam que eu não tocava pagode. Se eu falava da intenção de cursar jornalismo, não perguntavam o motivo de eu não fazer direito. Se eu me sentia um estranho no ninho, eles também se sentiam. E não me olhavam atravessado quando o meu nariz começava a escorrer.

Passei os anos seguintes tentando abandonar “a turma do fundão”. Para tanto, me aventurei entre intelectuais, boêmios, militantes, artistas, nerds… Mas sem jamais encontrar um ninho no qual me sentisse confortável. Talvez o problema fosse eu. E minha incapacidade de ceder às vontades da tribo. Acontece.

Após alguns anos atribulados, vejo-me novamente escapando da atenção alheia. Se não sou mais do fundo da turma, sou do fundo da casa. Durmo e acordo cedo, contemplo o silêncio, admiro a solidão. Passo horas lavando louça enquanto entrego os ouvidos a sons tranquilos.

Se hoje posso contar com alguém, conto com amigos de descrições pitorescas. São melancólicos, irônicos, depressivos, ansiosos, solitários, sarcásticos. Pessoas que nunca baixaram a cabeça para o sistema, ainda que isso lhes trouxesse algum prejuízo. Pessoas desconfiadas. Mas bem humoradas, divertidas.

Décadas se passaram, e só então percebo: é a turma do fundão rumando aos quarenta anos.

Não é uma história feliz, mas está longe de ser triste. Todavia, é a história de encontro e aceitação de uma turma. A minha.

Pai, afasta de mim essa foi-se, pai

Cada vez mais esquerdista — o proselitismos já invadiu até mesmo a pauta do Globo Rural —, a Globo até arranhou, mas não conseguiu — com apoio do presunto Seara — derrubar Michel Temer.

Não é algo que se comemore. Temer fez por onde cair. Mas segue de pé. O que torna obrigatório observar: foi-se o tempo que a Globo escolhia quem comandava o país.

Com trocadilho, que isso fique claro para a turma da foice, aquela que acha que atua em benefício do trabalhador rural, mas só está ali por causa do Agro.

Precisaria de cobertura

A falência institucional cada vez mais evidente tem ampliado a quantidade de amigos que temem — ou até anseiam por — um novo golpe militar. Sabem que o grosso da população não sofreu a perseguição enfrentada por formadores de opinião e certamente veria com menos asco a medida. Até porque alguns ainda trazem a lembrança de um tempo em que segurança, saúde e educação não eram tão caóticos.

Mas, por tudo o que sei, essa é uma chance remota. Nenhuma instituição toma medida tão drástica contra o poder sem a devida cobertura de outras instituições. Como, no Brasil, ninguém arriscaria apoio a algo tão tóxico à própria imagem, o apoio mais uma vez precisaria vir de fora. E, lá fora, só um maluco como Vladimir Putin ainda se dispõe a medidas do tipo. Todavia, sob a condição de a bandeira dar uma leve avermelhada — o que está longe de ser o que anseiam os “intervencionistas”.

Às vezes um rasante é só um rasante

Muito se especulou que o estilhaçar de vidraças por um caça da FAB teria sido um alerta das Forças Armadas ao STF a respeito do Mensalão: ou trabalhavam sério, ou sofreriam consequências.

Eu, que adoro uma teoria conspiratória, nunca desperdicei chance de fazer referência a essa. Mas, por tudo o que o STF fez nas últimas semanas, e pelo silêncio das mesmas Forças Armadas a respeito, resta evidente que aquele rasante foi só um rasante.

O globalismo de fato é um engodo

Em suas maiores crises econômica e política, com 14 milhões de desempregados, 60 mil assassinatos, estrutura precária e saúde ainda caótica, o Brasil se vê forçado a aceitar pautas da ONU, que quer a qualquer custo empurrar temas globais, com destaque para a crise dos refugiados, atropelando necessidades locais.

Não à toa, figuras polêmicas como Trump chegam ao poder.

Cru?!

Eu não prestava atenção no filme — ou série — que passava na TV. Ela, espantada com o que via,  verbalizou a situação:

— Ele vai colocar os filhos para comerem a perna da mãe!

Minha reação também foi a de quem se espantava com a cena.

— Cru?!

Após alguns segundos, rimos. De nervoso.

Eu apoio voto em lista

Por um motivo que soa simples, mas é um tanto mais complexo: o voto já é em lista. Ao se compreender a dinâmica do quociente eleitoral, percebe-se que as cadeiras das câmaras municipais, assembleias legislativas e Câmara Federal são distribuídas para listas de candidatos, respeitada a ordem do mais para menos votado. A diferença é que, no modelo atual, a lista é formada pelo próprio eleitor no momento em que vota. Já no modelo desejado por Brasília, ela seria definida por cada partido, e o eleitor deixaria de votar em um candidato, mas na ordem definida pela agremiação.

Então o modelo atual seria melhor, certo?

É aqui que eu discordo. Hoje, o eleitor define a lista, mas ele vota às cegas. Ele não sabe quem será o primeiro, o segundo ou terceiro nome dela. Sabe apenas que há um punhado de nomes, que tantas vezes, via coligação, dizem respeito a mais de um partido. E, assim, vota em Tiririca sem perceber que também elege Protógenes Queiroz.

No modelo em discussão, o eleitor teria contato com toda a escalação do time e saberia melhor em quem está votando.

Em Brasília, apostam que assim facilitarão a renovação dos próprios mandatos, o que os protegeria do avanço da Lava Jato na primeira instância. Eu faço uma aposta distinta: hoje, nada fala mais alto numa eleição do que a rejeição. Uma maçã podre causará um impacto enorme no cesto, e forçará o eleitor a buscar outra sigla. Ou essa sigla a se livrar da maçã podre.

Há ainda o fator didático: aqueles parlamentares trabalharão em equipe, porque é assim que a coisa funciona no Congresso. Quero crer que dará mais resultado o eleitor pensar no grupo, e não no indivíduo. E entenderá que este jogo precisa de entrosamento, não de malucos que gritam absurdos sozinhos e nada conseguem de prático além da renovação do próprio mandato.

É uma aposta cara num momento delicado. Mas o modelo atual vem rendendo essas legislaturas porcas. Eu, que tenho pouco a perder, topo arriscar.

Mas segue o spoiler: não vai acontecer.

Orçamento familiar importa!

Há alguns anos, uma campanha publicitária foi duramente criticada por oferecer a mulheres uma promoção de sapatos durante uma partida de futebol. A militância revoltou-se pois não queria atrelada a essas uma futilidade como o desejo por calçados novos. Em resposta, reclamava um interesse igual pelo esporte. Ignorava, claro, que o futebol é uma futilidade ainda maior, pois nem para proteger os pés serve.

Este é um exemplo do que chamo de machismo do feminismo, que é o ato de tomar por inferiores os papéis que historicamente pertenceram a mulheres – ou ainda pertencem, mesmo que não precisem de exclusividade – e, em vez de enaltecê-los, renegá-los a qualquer custo.

Só hoje fiquei sabendo que Michel Temer disse ontem que “ninguém mais é capaz de indicar os desajustes de preços no supermercado do que a mulher“. Foi a forma que o presidente da República encontrou para dizer que nenhum brasileiro percebe melhor as crises econômicas do que as mulheres, uma vez que são elas quem majoritariamente cuidam dos orçamentos familiares.

Há várias explicações. Mas pesco duas, que nascem justamente de situações que as beneficiam: na imensa maioria dos divórcios, a mulher ganha a guarda dos filhos e passa a cuidar sozinha da gestão da casa em que vivem; e homens vivem em média uma década a menos, deixando às viúvas o controle exclusivo de tudo o que a família produziu até ali.

Nos Estados Unidos, isso já rende um efeito político de proporções federais: algumas das principais fortunas do país estão sob os cuidados de matriarcas, que escolhem a dedo os políticos que financiarão nas disputas eleitorais. Não à toa, questões de interesses das mulheres ganham cada vez mais espaço nas campanhas, mesmo as presidenciais.

Mas não precisa ser algo tão amplo. Se você encara o mundo como um organismo social, as nações são os seus órgãos, e as famílias, suas células. Esse reconhecimento não é meramente metafórico, é jurídico, ainda que caiba discussões ou mesmo ajustes no que se entenda por família. Mas fato é que o orçamento familiar é o primeiro orçamento da sociedade. É o prioritário na vida de qualquer cidadão. Por uma jogo de empurra da lógica de mercado, é dele que saem todos os impostos que mantêm um país de pé.

Ter o controle do orçamento familiar não é nenhum demérito, muito pelo contrário. Eu, que não sou pai, estou há meses sem conseguir sair do cheque especial. E vivo a invejar a minha mãe, que educou cinco filhos e ainda guardou reservas para garantir-nos alguns bens apenas com a pensão que recebia desde que o marido morreu.

Minha mãe é uma heroína. Eu aplaudo de pé o que ela conseguiu fazer. Principalmente porque estou há uma década falhando miseravelmente no controle financeiro do meu lar. Entretanto, sei que ela não é a única. Ela faz parte de toda uma massa que não se enxerga na implicância da militância que se ofendeu com as palavras de Temer.

Por mim, Temer se explodia e os estilhaços levariam juntos 98% do Congresso Nacional. Mas o orçamento familiar precisa ser respeitado, principalmente dos arroubos de uma militância histérica que já deixou a razão de lado há tempos.

Enfim… Orçamento familiar importa. E a chance de sua mãe entender disso melhor do que você é enorme.

Herman Benjamin não perguntou?!

Eu lembro de ficar incomodado na campanha com a atuação de Herman Benjamin. O martelo dele até decidia contra a campanha de Dilma, mas parecia muito mais empenhado em podar as de Marina e Aécio — principalmente deste último.

Contudo, quando recentemente iniciou a apuração que pode render a cassação da chapa que reelegeu a petista, fiquei na dúvida: ele queria, por Dilma, vingar-se de Temer, ou apenas fazia o trabalho dele? E tendi à segunda opção, afinal, cassar a chapa era também cassar, desconfiava eu, a protegida do membro do TSE.

Agora, leio na Folha que Benjamin “dá sinais” de que concordará com a tese de que Dilma não merece ficar inelegível pois, apesar de todos os depoimentos dados, ela não teria ciência de nada.

Talvez tenha faltado a Benjamin fazer a Marcelo Odebrecht a pergunta curta e incômoda: ela sabia? Se tivesse feito, ouviria do empreiteiro o que já foi capa da IstoÉ: sim, não só sabia, como deu aval. Chegou a confirmar pessoalmente ao delator que uma nova carga de R$ 12 milhões precisaria irrigar o caixa dois. E que metade daquele volume iria para o PMDB. Tudo isso referendando o que já havia pedido o tesoureiro de campanha. Ou seja… Ela estava ciente dos movimentos deste.

Com isso, voltei a ter motivos para desconfiar da postura do ministro nomeado por Lula ao STJ em 2006, quando o ex-presidente, instruído por Marcio Thomaz Bastos, já escolhia para a Justiça currículos que pudessem ser úteis no julgamento do Mensalão.

“Pronto: sabotei o PT. Agora só falta o PSDB sabotar o PSDB.”

Encontrei as palavras do título na linha final de uma ótima coluna de Diogo Mainardi republicada pelo blog de Reinaldo Azevedo em 31 de outubro de 2009. O ainda colunista da Veja alegava ter ouvido dos marketeiros de Serra e Aécio que somente uma chapa presidencial com ambos seria capaz de “sabotar” os planos do PT, que já trabalhava o nome de Dilma para a sucessão de Lula.

O cálculo envolvia uma vitória dupla: São Paulo e Minas Gerais. E isso só seria possível com os principais nomes de cada Estado concorrendo em parceria. Do contrário, o PT venceria em Minas.

Eu não sou marketeiro, mas sei que o PSDB só logrará o êxito que almeja se unir seus dois maiores trunfos em 2018. Para isso, a estratégia parece-me simples: José Serra mantém o governo de São Paulo com o próprio partido (a vitória mais previsível de todas); Aécio Neves renova o mandato para o Senado já mirando a presidência da casa, e isso tem que acontecer com a reconquista de Minas (talvez Anastasia seja outra aposta de baixo risco); se for esperto, emplaca um “outsider” amigo no governo do Rio de Janeiro, estado onde morou nos últimos anos, hoje uma terra arrasada com tantos ex-governadores enfrentando graves problemas com a Justiça.

Tudo isso para que Geraldo Alckmin seja o próximo presidente da República. É o nome que “venceu” a eleição de 2016, é o dono de uma estratégia que funcionou e está funcionando em São Paulo, e está com uma sede enorme de fazer isso no resto do país.

Não é nada de outro mundo. É o que qualquer partido sério faria: avaliaria seus melhores quadros e reservaria aos maiores as maiores conquistas.

Mas o PSDB sempre sabota o PSDB. E diariamente surgem notinhas defendendo uma candidatura presidencial de João Doria, alguém com dois meses de trabalho como prefeito.

Essas notas não querem Doria na Presidência. Querem um conflito entre ele e seu padrinho, Alckmin. Creem que, implodindo a relação, implodem ambos, e abrem caminho para Serra ou Aécio, ou Serra e Aécio, uma dupla cuja rejeição Lula adoraria ver somada.

Naquele 31 de outubro de 2009, Mainardi terminou a coluna dizendo: “Agora só falta o PSDB sabotar o PSDB“. No dia seguinte, primeiro de novembro de 2009, às 12h09, Juca Kfouri noticiou que Aécio Neves bateu na “acompanhante” numa festa no Rio de Janeiro.

Eu sou o tipo de pessoa que tem muita dificuldade para acreditar em coincidências. Mas, coincidência ou não, no ano seguinte, o vice de José Serra foi Índio da Costa. E Aécio teve que dar muita explicação sobre o episódio do Fasano em 2014.

Limites

Naquela época, minha carência não me deixava fazer nada sem que eu tentasse concluir a missão da forma mais inusitada possível. Explorar a criatividade era a arma sacada por mim para conquistar a atenção alheia. E eu precisava muito desta, pois não me suportava só com meus pensamentos.

Há uns 15 anos, Vicente Serejo foi a vítima da vez. Acostumado a nos solicitar redações de temas específicos, mas com tamanho livre, limitou-nos a apenas 20 linhas. Eu nem achava um absurdo, mas meu ego não se conteve. E aquela lauda nasceria em forma de protesto contra as instruções recebidas.

Era uma bobagem, mas eu me achei genial ao colocá-la em prática. Como numa contagem regressiva, cada linha citava organicamente um número. Nem lembro do tema, mas, ao final, a leitura se sufocava na falta de espaço. E minha criatividade concluía reclamando a liberdade que lhe fora tolhida.

Sim, amigos, é duro reconhecer, naquele inverno o termo nem era usado com este sentido, mas eu “lacrei”.

Serejo, que findaria o curso como o melhor e mais educado professor que topara o desafio de me ensinar, faria uso de um sangue frio que ainda invejo. E lembraria a toda a turma que os limites fazem parte da vida, principalmente das carreiras profissionais. Que era preciso jogar o jogo – e aqui já uso minhas próprias palavras – com as ferramentas existentes. E, por vezes, elas seriam pouco úteis, pequenas, minguadas, nada mais do que 20 linhas.

Enfim… O segredo era tirar o máximo do mínimo.

A mim, coube apenas o sorriso amarelo diante da lição. Que me volta à mente sempre que vejo amigos (ou inimigos) indo além dos limites aceitáveis para defenderem seus pontos.

Um bom guerreiro reconhece a força do adversário. E não avança de peito aberto diante da linha inimiga. Ele rasteja, contorna, aguarda em silêncio, calcula, e só ataca quando sente segurança para tal.

São metáforas, claro. Mas que servem a essa “guerra cultural” que enfrentamos. Poucas coisas conseguem ser mais valiosas à humanidade do que o reconhecimento dos próprios limites. E a descoberta destes exige uma boa dose de paciência.

Os nomes na MP

Marcelo Odebrecht confessou ao TSE que um terço dos R$ 150 milhões doados à campanha de Dilma em 2014 foram entregues em contrapartida a Medida Provisória de 2009 que beneficiou uma empresa do grupo. Em palavras mais simples, a empreiteira teria comprado com R$ 50 milhões uma MP do governo Lula.

As palavras de Marcelo Odebrecht fazem referência à Lei 11.941, de 27 de maio de 2009.

Ao rolar a página até o final, é possível conferir os nomes que assinam o documento:

  • LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
  • Tarso Genro
  • Guido Mantega
  • Reinhold Stephanes
  • José Antonio Dias Toffoli

Atualização 11h07

Com conteúdo do Estadão, o Zero Hora noticiou que a MP negociada pela Odebrecht com o governo Lula seria a “medida provisória do REFIS“. REFIS é o tema central da lei 11.941 citada mais acima, mas o Antagonista deixa claro que a MP citada por Marcelo é a 470, de 13 de outubro de 2009, semanas após Lula indicar Dias Toffoli ao STF – o mandato deste começaria apenas dez dias depois.

Na assinatura da referida MP, constam apenas os nomes de Lula e Guido Mantega.

The Affair, segunda temporada

A segunda temporada de The Affair consegue ser melhor que a primeira, ainda que a suspensão de descrença seja um pouco mais explorada. As coincidências convenientes tentam se justificar no minúsculo tamanho de Montauk, mas esquecem que vez em quando aqueles personagens estão em Nova Iorque. Quanto aos roteiristas, abusaram um pouco do recurso do celular que não atende, ou todo o drama seria resolvido numa simples ligação.

Mas, como ia dizendo, segue incrível. O enredo é simples, novelesco, de novela das seis. Contudo, o ritmo que a trama é tocada fisga, o flashback é muito bem explorado, os pontos chaves da história são entregues em migalhas, sempre no melhor momento. Sem falar que diálogos e atuações são ótimos.

No Brasil, pode ser vista na Netflix.

A “vitória” da direita em 2016 iniciou uma corrida à… esquerda?!

Nas eleições municipais de 2016, a direita teve o melhor resultado em décadas. E o PT, principal nome da esquerda, foi reduzido a décimo partido da República.

Iniciou-se ali uma fuga pela direita, certo?

Não. Iniciou-se ali uma briga pela nova liderança da esquerda.

Ciro Gomes quer que a nova esquerda seja o PDT.

Marcelo Freixo está certo de que a nova esquerda é o PSOL.

Geraldo Alckmin está pronto para mudar para o PSB caso o PSDB vire-lhe as costas.

FHC se engraçou defendendo Jean Wyllys e até foto ao lado de Duvivier fez, achando que o PSDB ocupará este posto.

Aécio Neves está lá concordando com a Folha de que isso de “fake news” é muito prejudicial.

Cristovam Buarque diz que será candidato a presidente de novo. Pela imprensa, o herdeiro do voto esquerdista seria Fernando Haddad.

Lula jura que está no páreo, apesar de todos sabermos que só busca um discurso para evitar a prisão. Até Dilma estaria sendo cogitado para o governo do RS.

Há ainda Eduardo Jorge no PV. E Marina Silva liderando qualquer segundo turno.

Só João Doria faz alguma graça com a direita, mas todos sabem que ele é Alckmin e rumaria junto para o PSB em dois tempos.

Sobrou o que na direita? Onyx Lorenzoni, que possivelmente você nem sabe quem é, Ronaldo Caiado, cada vez mais calado, e Jair Bolsonaro, que já começou a ser bombardeado e há muita munição contra ele.

Cabe lembrar também que Eduardo Cunha, em um ano, desceu de presidenciável a presidiário. E Feliciano, que tentou peitar a UNE, foi acusado de estupro e se escondeu dos holofotes.

A direita não é amadora. É assustadoramente amadora.

Moonlight

Não tem mistério. Ou você conta uma história muito boa, ou conta muito bem uma história qualquer. Para ser o melhor do ano, exige-se que, ao menos, conte-se muito bem uma ótima história.

Moonlight nem possui uma história marcante, nem é apresentada de uma forma marcante. Ou Hollywood teve uma safra muito ruim de filmes, ou o Oscar rendeu-se a fatores políticos para premiá-lo como melhor filme.

Eu aposto no segundo caso.

Novelaço

Comentei que The Affair era novelão, mas alguém entendeu isso como uma crítica. Então ajustemos o termo: novelaço.

Estou na metade da segunda temporada me perguntando: por que as novelas brasileiras não mais são assim? Calcadas em dramas familiares com os quais podemos facilmente nos identificar?

Sim, há uma trama maior envolvendo um possível assassinato. Contudo, soando menor que as outras: a destruição de uma família pela traição; o renascimento do indivíduo por essa mesma traição.

O ouro, no entanto, está na própria narrativa, na forma como cada personagem se porta a depender da visão assumida no roteiro. Poucas coisas soam mais realistas do que essa variedade de versões. Ao mesmo tempo em que nos perguntamos: em algum momento estamos vendo a verdade em tela?

Eu aposto que não.

Arte, pra que te quero?

É entretenimento puro. Mas, exigem os mais velhos, o lazer só vem após o dever. Ou seja… É algo que só deve acontecer quando tudo o que de fato importa já foi devidamente cumprido.

Esse dilema pesava em minha consciência quando eu ainda lutava para viver de arte, viver da organização de eventos, de festas. Incomodava-me o fato de aquilo que era tão importante para mim ser a segunda, terceira ou quarta prioridade na vida de tantos outros.

Como solucionava? Tentando politizar ao máximo o que criava, acrescentar uma luta social, uma ideologia, um desejo de mudar o mundo. Apenas para provar a mim mesmo que minha passagem pela vida tinha alguma relevância.

Hoje, entendo a politização da MPB, e as críticas desta à Bossa Nova e à Jovem Guarda, como uma vergonha semelhante à descrita mais acima.

É assim que também vejo esse desejo de Hollywood de ser tão ativa politicamente. Ela apenas sente vergonha de fazer fortuna com diversão.

E isso, claro, não deveria ser vergonha nenhuma.

Temer com 78% de rejeição

Em qual instituto confiar? Eu tenho motivos em suficiência para desconfiar de Datafolha, Ibope e Paraná. Dos que restam, o Ipsos me soa dos mais sóbrios. E, pela pesquisa dele, Michel Temer está com 78% de rejeição.

O presidente só não supera Eduardo Cunha (89%) e Renan Calheiros (82%), mas já deixou Dilma Rousseff para trás, que bateu em 74% no seu pior momento.

O dado também entrega quão perdida está a esquerda. Deveriam todos estarem fazendo faixas com o número para pularem carnaval. Mas simplesmente passou batido.

O Brasil está sem oposição. De novo.

Só me ocorrem dois momentos em que isso aconteceu: ditadura militar, e quando o PT comandou o país por 13 anos.

Em ambos os casos, deu muito errado.

O que quer o governo Temer

Resumidamente, evitar a cadeia. Mas, com popularidade tão baixa, só terá forças para tanto até o primeiro dia de janeiro de 2019, pois fatalmente passará o cargo a um opositor.

Então é esse o plano dele?

A mensagem de hoje, defendendo que a recessão está no fim, mesmo que ela ainda pese bastante no nosso lombo, pode ter entregado a estratégia. Seria uma espécie de fuga pela economia.

Faria sentido. A história ensina que, com muito dinheiro no bolso, o brasileiro topa de ditadura militar a petismo destruindo democracia e estrutura pública. E, até aqui, a equipe econômica vem fazendo um trabalho exemplar.

Se tais resultados chegam, Temer emplaca um sucessor, ou, quem sabe, até renova o mandato. E aí quem perde é a Lava Jato, que verá o parlamento, em conluio com o Supremo, inutilizar o que ainda resta de arma para se fazer Justiça no país.

E eu creio que os resultados virão.

Ou seja… Dallagnol, Moro e sua trupe precisam enfiar o pé no acelerador. A “janela de transferência” de Brasília para Curitiba aos poucos se fecha.

Placar da Cassação

O Antagonista lembra que Michel Temer indicará dois ministros ao TSE ainda este semestre. Certamente escolherá nomes somente após certificar-se de que não votarão pela cassação do próprio mandato. Como as chances de Gilmar Mendes votar algo que desagrade o atual governo são mínimas, o presidente já teria 3 dos 4 votos necessários para se safar.

Rosa Weber foi voto vencido contra Renan Calheiros. Votar contra Calheiros era votar contra Temer. Creio que votaria novamente sem problema. E Herman Benjamin parece bem empenhado em passar a limpo essa história.

Placar até o momento:
Governo 3 x 2 Cassação

Falta Fux, que costumo tomar por independente, e Napoleão Maia, que desconheço.

Meu chute: Napoleão vai de cassação, Fux vai de Temer. O mandato será concluído somente em 1º de janeiro de 2019.

A conferir.